Agro e meio ambiente

Editorial

Agro e meio ambiente

Apenas em abril deste ano foram emitidos alertas de desmatamento para 405,6 quilômetros quadrados


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Editorial - Reprodução

O Brasil poderia aumentar a produção de alimentos para atender os mercados internacionais "sem derrubar uma árvore sequer". Tal afirmação não saiu da boca de nenhum ambientalista ou organização não-governamental de defesa do meio ambiente, alvos preferenciais de críticas e ataques do presidente Bolsonaro, mas sim da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que tem se destacado na defesa do agronegócio, setor que permanece sustentando índices positivos de produtividade, mesmo em meio à crise econômica.

Em evento online promovido pela Climate Bonds Initiative, a ministra disse que o País poderia potencializar o uso global dos recursos naturais. Segundo ela, apenas oito por cento do território nacional é ocupado por lavouras "que ainda não atingiram a plenitude de sua produtividade". Tereza Cristina afirmou também que o Brasil pode "crescer muito mais com as tecnologias que vêm sendo desenvolvidas".

O País vem colecionando vexames nessa área, o que deve ser creditado ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cujo desempenho é vergonhoso e prejudicial à imagem do País no exterior e ao meio ambiente em si. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) o desmatamento na Amazônia totalizou 5.666 quilômetros quadrados entre agosto de 2019 e abril de 2020, quase o mesmo que a soma das áreas desmatadas em 2018 e 2019 no mesmo período. Apenas em abril deste ano foram emitidos alertas de desmatamento para 405,6 quilômetros quadrados. No ano passado, esse alerta foi de 247,7 quilômetros quadrados. Toda essa tragédia ambiental conta com o beneplácito de Salles.

A ministra da Agricultura, ao contrário, mostra capacidade de entendimento da necessidade imperiosa de demonstrar ao mundo que o Brasil está seriamente comprometido com a produção de alimentos, que ainda sustenta o PÌB, sem destruir o meio ambiente, tema que, com toda a razão, domina os debates sobre desenvolvimento sustentável. Apesar da pandemia de coronavírus e seus efeitos na economia mundial, o Valor Bruto da Produção Agropecuária do País deve ter alta de 7,6% em relação ao resultado de 2019, segundo o Ministério da Agricultura, quase uma ilha de boas notícias diante de tantos erros e atitudes retrógradas. A ministra demonstra, com tais manifestações, lucidez e bom senso e mostra ser possível uma convivência inteligente e pacífica entre os interesses econômicos e a preservação ambiental.