O MEC e as cotas

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O MEC e as cotas

O País conseguiu compreender a necessidade das medidas adotadas com o objetivo de incluir, e não mais excluir


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Editorial - Reprodução

Um sopro de bom senso no Ministério da Educação. O ministro interino, Antonio Paulo Vogel de Medeiros, baixou portaria anulando a última e infeliz decisão do ex-ministro Abraham Weintraub, que havia restringido as cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência em cursos de pós-graduação. A portaria original, anulada por Weintraub, vigorava desde 2016 e era mais uma ação afirmativa para estudantes no sistema de ensino superior no Brasil.

Muito já se discutiu sobre a importância das chamadas cotas raciais na educação e no serviço público, como forma de reparar séculos de injustiça contra as minorias. Segundo o IBGE, a possibilidade de ter um diploma de graduação aumentou quatro vezes para a população negra no Brasil nas últimas décadas. No ano 2000, apenas 2,2% de negros e pardos conseguiam o diploma. Esse percentual subiu para 10% em anos mais recentes.

Ainda segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2011, do total de 8 milhões de matrículas, 11% foram feitas por estudantes negros ou pardos. Já em 2016, o percentual subiu para 30%.

O tema é polêmico, mas o País conseguiu compreender a necessidade das medidas adotadas com o objetivo de incluir, e não mais excluir, milhares de jovens que sonham com um futuro melhor e buscam uma formação profissional adequada. Educação para todos deve ser o norte de uma nação, a qualquer tempo. Sempre é bom lembrar dos países que saíram da pobreza e se tornaram potências econômicas, como a Coreia do Sul, investindo maciçamente em educação, o que engloba atenção permanente aos alunos e valorização dos professores.

Entre tantas atitudes desastrosas enquanto ocupou o MEC, Weintraub decidiu, em seu último ato, suspender essa medida que, até onde a vista alcança, não trazia nenhum tipo de problema para o governo, para o País ou para a sociedade brasileira. Assinou a portaria e foi para os Estados Unidos, deixando para trás a pior administração que o estratégico Ministério da Educação já teve, desde que existe. Não vai deixar saudades.

O ministro que assumir no lugar de Weintraub terá a dura missão de reconstruir programas, restabelecer o diálogo com educadores e instituições e, sobretudo, recuperar a credibilidade do Ministério junto à sociedade, prejudicada imensamente por um gestor que, em vez de avançar, preferia sempre o retrocesso, em todos os níveis.