Atenção aos hospitais

Editorial

Atenção aos hospitais

com a pandemia de coronavírus, a demanda pelos medicamentos e equipamentos aumentou


Editorial
Editorial - Reprodução

A situação dos hospitais de Rio Preto e região merece atenção especial das autoridades, em particular nesta etapa de combate ao coronavírus. Já há algum tempo, começaram a surgir problemas que, se não enfrentados com firmeza e rapidez, podem ter consequências muito graves para a continuidade do atendimento aos pacientes, principalmente contaminados pela Covid, que já infectou mais de cinco mil pessoas e provocou 179 mortes na região.

Hospital de Base e Santa Casa de Rio Preto, Fundação Padre Albino e Hospital São Domingos, de Catanduva, Santa Casa de Votuporanga e Santa Casa de Fernandópolis tiveram que suspender temporariamente a realização de cirurgias eletivas - que não são de urgência- pela falta de sedativos e relaxantes musculares para pacientes das Unidades de Terapia Intensiva. Apenas as cirurgias de urgência e emergência estão sendo feitas. Situação semelhante foi enfrentada nos Estados Unidos.

Um paciente com Covid fica mais tempo no respirador. Com a pandemia, a demanda pelos medicamentos e equipamentos aumentou. Normalmente, segundo administradores dos hospitais, um paciente grave fica seis dias no ventilador, mas o paciente com Covid chega a ficar dez dias, e o gasto com sedativos, evidentemente, é maior.

Os médicos têm se empenhado em manter todo o atendimento, inclusive com o uso de sedativos em doses menores, mas em níveis seguros, dentro dos protocolos. A situação não saiu do controle, mas acendeu o sinal amarelo no enfrentamento à Covid. A ocupação de leitos ainda está em níveis considerados seguros, o que é um indicador importante neste trabalho.

Outro obstáculo é o aumento abusivo nos preços dos medicamentos usados nas UTIs. Setores responsáveis pelas compras dessas substâncias para hospitais da região relatam que uma ampola de anestésico que antes da pandemia custava R$ 5 hoje é vendida a R$ 19, quando há estoque à venda.

É hora de ação. Não se pode admitir omissão ou demora por parte dos governantes, em todas as esferas, diante de um quadro muito grave e preocupante, que coloca em risco a saúde dos pacientes e o próprio sistema de saúde. O Ministério da Saúde, em nota, informou que a compra de anestésicos e neurorrelaxantes é de responsabilidade de Estados e municípios, mas que tem feito contatos com a Anvisa, com a Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos e com os laboratórios farmacêuticos para identificar os problemas causados pela falta dos produtos. O governo do Estado, por sua vez, tem mandado regularmente respiradores para hospitais da região, a fim de garantir o atendimento aos pacientes graves.

Mas é preciso extrema atenção e cuidado permanente. Médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde precisam contar com todas as armas disponíveis para lutar nesta verdadeira batalha pela vida.