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Pandemia acelerou mudanças que já estavam em curso

Em live promovida pelo Diário, especialistas analisaram o papel da tecnologia no mundo pós-pandemia e concluíram: teremos de nos adaptar a uma nova realidade


Pandemia serviu de propulsor para transformações
Pandemia serviu de propulsor para transformações - Freepik/Banco de Imagens

Algumas mudanças demoram para acontecer, principalmente quando mexem em hábitos e comportamentos humanos. No caso da tecnologia, por mais que esteja incorporada ao dia a dia de boa parte das pessoas, ainda é possível observar alguma resistência diante de certas novidades. Mas a pandemia do coronavírus acelerou transformações que já estavam acontecendo no mundo, corroborando a tese do biólogo Jared Diamond, que escreveu, em 1997, que as epidemias estão entre as poucas coisas capazes de mudar o rumo da humanidade. A afirmação está no livro "Armas, Germes e Aço", como lembra o ex-cientista-chefe da IBM no Brasil, Fábio Gandour. Os outros dois propulsores de mudanças citados na obra são as guerras e a industrialização.

Em live promovida pelo Diário na quarta-feira, 13, Gandour avalia que essa jornada de transformação, acelerada pela pandemia, está transformando átomos (unidades de matéria) em bits (menores unidades de informação). Em outras palavras, o contato humano está sendo substituído pelo contato virtual. "Tem hora que transformo átomo em bit, mas depois tenho que voltar atrás. Faço pedido do delivery em bit, mas a pizza tem que chegar em átomo. Esse tipo de transformação para frente e para trás é algo que vai acontecer. Esse é o efeito da tecnologia no mundo pós-Covid", explica.

O empreendedor Beto Braga, dono de um espaço de coworking em Rio Preto, que também participou da live, acrescenta que estamos caminhando para uma situação de trabalho remoto, com shows e grandes eventos cancelados. Ele prevê que tudo isso servirá de impulso para a ampliação do uso de realidade virtual e aumentada. Para ele, mudam também os modelos de trabalho. "Os espaços de coworking, considerados ambientes de trabalho do futuro por agregar grupos dentro do mesmo espaço, vão ter que mudar de algumas maneiras, fazer adaptações. Não tem como abrir mão do contato, do networking, de algumas características que o trabalho remoto não consegue suprir, mas não tenha dúvidas de que isso vai ser compensado em alguma hora. Vão existir serviços, plataformas em que, de alguma maneira, esses benefícios serão atingidos", projeta.

Neste cenário de transformação, os dois acreditam que teremos de nos adaptar a uma nova realidade. "Acho que vai existir um novo normal. Não vai ser mais a mesma coisa que acontecia antes. Não dá para ter essa expectativa. Vamos ter de nos adaptar a uma nova realidade. Essa questão da pandemia era uma coisa que era esperada. Na área de tecnologia, algumas mudanças foram feitas, outras antecipadas. Minha filha está tendo aula a distância, várias situações que serão incorporadas para atender a uma demanda de um público novo", diz Beto.

Gandour acrescenta que esse "novo normal" será, para ele, "absolutamente anormal". "Toda vez que a gente fala de pós alguma coisa, apontamos na direção de um cenário. Como cientista, tive de construir cenários a vida inteira. Prospectar o futuro". E ele conclui: "No cenário provável, essa pandemia e todas as restrições impostas para o seu controle vão levar à criação de novos valores humanos."

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Novas ferramentas

Para apoiar pequenas empresas, o Facebook e o Instagram anunciaram nesta semana novas ações, como hashtags e adesivos de apoio em tempos de pandemia de coronavírus, que estarão disponíveis nas redes sociais. A ideia é permitir que os empreendimentos possam receber visualizações e sejam recomendados por outras pessoas. No Instagram, o adesivo "Apoie as Pequenas Empresas" permite que a publicação faça parte de um compilado de Stories chamado "Compra Local", que mostra os comércios da região do usuário. Outra novidade anunciada é o "Empresas nas redondezas", funcionalidade que estará disponível no Facebook. Por meio dela, os usuários poderão encontrar as atividades dos comércios de bairro da região.

Uso de máscaras

O aplicativo de transporte Uber anunciou nesta quarta-feira, 13, uma série de medidas de segurança para viagens e entregas como forma de precaução por conta da pandemia do novo coronavírus. A principal novidade é a de que motoristas e passageiros terão de usar máscaras faciais para poderem estar numa corrida - prática que já havia sido imposta em algumas cidades do País pelas autoridades, mas agora valerá para todas as viagens da empresa no mundo. As medidas passam a valer na próxima segunda-feira, 18.