Eleições municipais

ARTIGO

Eleições municipais

O grande ideal é o sonho de um país próspero, democrático, sem corrupção


A boa política está a serviço da vida e da paz". Este é o pensamento do Papa Francisco, porque tem como base a dignidade humana e o bem comum. É também a orientação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, contida numa Cartilha de Orientação Política preparada pelo Regional Sul 2 da CNBB. A política é uma das melhores formas do cidadão realizar a caridade e a fraternidade.

Muitos bons católicos dizem não ter interesse pela política, mas isso já significa uma posição política e revela irresponsabilidade em relação ao bem comum. Fazer o bem para a comunidade deve ser de todas as pessoas. A omissão ajuda na prática da injustiça. No voto consciente está a dimensão da democracia, como compromisso de vida porque, o que é feito com responsabilidade, gera dignidade.

A organização da sociedade depende de ação política, de atitude cidadã e de escolhas legítimas. Vender a consciência fragiliza o processo democrático, dificulta e impede a construção da sociedade e de um país sério em seus objetivos. Nesta eleição de 2020 nosso olhar mira para os Municípios brasileiros, escolhendo Vereadores e Prefeitos. Pesa sobre cada eleitor essa grande responsabilidade.

Papa São Paulo VI fala de liberdade na escolha de cada candidato, partilhando com eles a responsabilidade na administração da cidade, da nação e da humanidade. Diz o Papa: "A política é uma maneira exigente, se bem que seja única, de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros". Por isto a Igreja incentiva os leigos, que têm vocação para a política a assumirem cargos públicos.

Na orientação da legislação da Igreja, "os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil" (Cân. 285). Caso aconteça, o clérigo é afastado das obrigações com seu ministério presbiteral. A missão é própria dos leigos e, mais ainda, daqueles que têm facilidade na administração dos bens e da coisa pública, para o bem de todos.

Não é missão da Igreja apoiar ou aliar-se a um partido qualquer, mas tem a obrigação de orientar as pessoas para uma campanha política sadia e um voto consciente. O grande ideal é o sonho de um país próspero, democrático, sem corrupção, justo, sem violência e mentiras. Mas é um sonho que só será possível com a participação cidadã e responsável de todos os brasileiros.

Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba-MG e ex-bispo de Rio Preto