Repique inflacionário

ARTIGO

Repique inflacionário


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A inflação, apesar de estar sob controle desde o Plano Real, nunca deixa de mostrar que não está morta e sempre que pode mostra seu poder de sobrevivência. É preciso estar vigilante com a questão fiscal, cambial, produtividade, entre outros para não despertar o dragão.

Inflação alta traz inúmeros transtornos para a economia, como a perda do poder aquisitivo da população, sobretudo a mais pobre, já que os alimentos pesam bastante em seu orçamento, nas relações de trocas comerciais com o exterior, sobre os investimentos produtivos e tantos outros males.

Uma das formas de se distribuir renda para a população é o controle da inflação, que aumenta o poder de compra. Preços altos acabam sendo o maior imposto a ser pago pela população com menos recursos, favorecem monopólios, oligopólios e os rentistas.

Conseguimos controlar a inflação em 1994, com o Plano Real, e não podemos perder essa conquista, que é um dos pilares de sustentação do desenvolvimento econômico. No mês de agosto, a inflação fechou em 0,24%; no acumulado deste ano estamos com 0,77% e no período de 12 meses chegou a 2,44%, aproximando da meta estipulada pelo governo.

O que levou a esse repique inflacionário foi a corrida da população aos supermercados, temendo o medo do desabastecimento em função da pandemia. O auxílio emergencial de RS 600 concedido à população contribuiu para o aumento do consumo, bem como a valorização do dólar. A moeda norte-americana valorizou mais de 30% este ano em relação ao Real, provocando um aumento significativo das exportações de alimentos, entre eles o arroz. Exportamos o dobro de arroz que vínhamos exportando para a China.

É sempre bom lembrar que cada família ou empresa tem sua inflação particular, portanto, o índice oficial de inflação não é o mesmo para todos. Se você é vegetariano, o aumento do preço da carne não pesa em seu orçamento e assim por diante. Em agosto a pressão dos preços veio dos alimentos (arroz, óleo, leite longa vida, tomate etc) e combustíveis.

As medidas tomadas pelo governo como as notificações às empresas pedindo que justificassem a alta dos alimentos e a extinção da alíquota de importação de arroz, têm muito mais efeito político do que econômico, tem pouca ou nenhuma serventia.

A grande loucura seria tabelar ou congelar os preços dos alimentos/serviços, pois se isso trouxesse algum resultado não existiria inflação no mundo. Estamos passando por um aumento de demanda de alimentos interna e externamente, mas os preços tendem a se estabilizar, possivelmente num patamar maior do que o anterior.

Está prevista para o início de 2021 uma grande safra de arroz no mercado interno, o que deve colaborar para a solução desse problema. Esperamos que essa alta dos preços seja pontual e não especulativa. Não podemos abrir mão da estabilidade dos preços, que foi uma conquista árdua e histórica.