O vírus

ARTIGO

O vírus

Estamos no estágio do monoteísmo, mas com variações e conflitos entre as doutrinas


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Das teorias mais aceitas, a evolução indica que entre 200 e 400 mil anos antes de nossa era, ele apareceu mais ou menos como é hoje: ereto e forte. Contudo, talvez esteja por aí há mais de 7 milhões de anos ou, quem sabe, desde mais tempo. Qualquer hora dessas se descobre nova espécie.Caminhou para além da África há aproximadamente 100 mil anos. É provável que, em ondas migratórias, tenha atingido a Ásia Central, depois o subcontinente indiano, alcançando a Austrália, a seguir a península balcânica e, por fim, a Europa. Sem consenso, sobram teorias a respeito dessa saga. Há provas da presença dessa espécie em cavernas, preservadas dos Montes Urais à Argentina, da Sibéria à Espanha. Na França, está conservada a imagem do "Feiticeiro", nome batizado pelo arqueólogo Henri Breuil. A singular figura híbrida, entre humana e animal, tem cerca de 17 mil anos.

Dezenas dessas imagens podem ser encontradas, espalhadas pela Europa e Ásia. Não há concordância quanto à interpretação dessas gravuras. Especula-se sobre a existência de crenças rudimentares no interior de pequenos grupos, mas longe de qualquer coisa minimamente organizada. Estudiosos registram o que pode ter sido uma das primeiras manifestações de religiosidade: o culto ao "Senhor das Feras", praticado em várias partes do mundo, em regiões sem qualquer contato uma com a outra. Há até imagens conservadas, uma no Egito, datada de 3450 A.C., mas isso não é nada diante do que segue. A mais extraordinária demonstração de algo organizado foi a descoberta do Sítio Arqueológico Göbekli Tepe, na Turquia. Impressionante porque o local foi construído, calcula-se, entre 12500 e 10000 A.C., portanto feito por caçadores-coletores, seminômades.

Mais antigo do que os hieróglifos egípcios, do que Stonehenge e do que as Pirâmides. Antecede a agricultura e desconfia-se que foi plantado ali antes da invenção da roda. Pelas características do local e falta de evidências da existência de sociedades organizadas, não se sabe como.Complicada essa espécie e por cerca de outros milhares de anos, ela conviveu com deuses diversos. Os espertos faziam o papel de intermediários entre este plano e o outro, sempre acima de nossas cabeças. Tipos ainda existentes, cuja última aventura tem sido explicar o Corona Vírus como aviso dos céus, decorrente de nossa falta de fé e religiosidade. São os xamãs da modernidade.

Estamos no estágio do monoteísmo, mas com variações e conflitos entre as doutrinas e com muitas tendências dentro do mesmo dogma ou crença. Talvez à frente, acrescentaremos o panteísmo, o espiritualismo científico, o sufismo maometano e o avanço no Ocidente das religiões orientais. Conjecturas! Antes de olharmos para o inexplicável, talvez seja mais racional mirar no que nós estamos fazendo com o planeta, levando a cabo a devastação da natureza, sem saber dar destino racional aos nossos próprios resíduos e praticando um culto desmedido e cego à tecnologia. Nós somos o vírus!

Laerte Teixeira da Costa, Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e ex-vereador de Rio Preto