Cores são verdadeiras

ARTIGO

Cores são verdadeiras

Na classificação amarela, vislumbra-se um alívio, tanto no sistema de saúde, quanto na evolução da doença


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Desde o dia 1º de junho, com a implantação do Plano São Paulo, adotado pelo governo paulista para possibilitar a retomada segura das atividades econômicas durante a pandemia, as várias regiões, definidas a partir dos 17 Departamentos Regionais de Saúde, passaram a ter que conviver com a contínua expectativa gerada pelos anúncios que determinam em qual das fases elas se enquadram. As fases (vermelha, laranja, amarela, verde e azul) foram definidas com base em parâmetros matemáticos que levam em conta a capacidade do sistema de saúde (taxa de ocupação dos leitos de UTI-Covid e quantidade de leitos UTI-Covid por 100 mil habitantes) e a evolução da própria pandemia (números de casos, de internações e de óbitos). Com relação às fases, o Plano SP classifica como vermelha aquela que exige alerta máximo, mediante os elevados índices de contaminação. Por esta razão, só é permitido o funcionamento dos serviços essenciais. A fase laranja demanda atenção, uma vez que evidencia-se um colapso na capacidade do sistema de saúde. Este colapso resulta da piora na evolução da pandemia ou da manutenção em números elevados de casos, internações e óbitos. Na classificação amarela, vislumbra-se um alívio, tanto no sistema de saúde, quanto na evolução da doença. Nesta fase, há uma maior liberação das atividades.Nenhuma das 17 regiões do estado chegaram até uma das duas últimas fases (verde ou azul). Para chegar até elas é preciso que seja constatado um decréscimo acentuado e contínuo das taxas que medem a capacidade do sistema de saúde e dos números que dimensionam a evolução da pandemia.

O curioso é que o Plano SP identifica 3 das fases com cores primárias: vermelho, amarelo e azul. Vale lembrar que as cores primárias são conhecidas como as cores verdadeiras, visto que não são obtidas misturando-se outros pigmentos coloridos. Pelo contrário, são das cores primárias que nascem novas cores e as variedades dos tons, como é o caso das cores laranja (vermelho amarelo) e verde (amarelo azul), que completam a aquarela utilizada pelo governo do estado.

Ainda falando em cores, estudos relacionados à Psicologia explicam como o cérebro humano é capaz de interpretar, perceber e compreender as cores. Elas podem influenciar as emoções e os sentidos dos indivíduos. Por exemplo, a cor vermelha associa-se a emoções como raiva, paixão e perigo. A cor laranja relaciona-se com extravagância e a amarela com alegria, sabedoria. A verde sugere bem-estar e tem a capacidade de aliviar as pessoas das tensões. Por fim, a cor azul remete à segurança e à calmaria. As emoções ligadas a cor azul são confiança e paz.

É pouco provável que os responsáveis pela elaboração do Plano SP tenham estudado psicologia para atribuir as cores vermelha, laranja, amarela, verde e azul às respectivas fases previstas. Mas, a aquarela do Plano SP faz lembrar de outra "Aquarela" - aquela cantada por Toquinho. Na música, ele dizia: "se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu...". No Plano SP, se um pinguinho de tinta vermelha cair em uma região amarela, ela volta, inevitavelmente, para a fase laranja. É preciso cuidado, afinal, as cores primárias são verdadeiras. Elas nunca mentem!

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE-Unesp de Rio Claro; diretor da Fatec de Rio Preto