Recessão ou depressão

ARTIGO

Recessão ou depressão


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Que a pandemia provocaria uma queda histórica do Produto Interno Bruto (PIB) era certo, mas apesar de intensa, o tombo foi um pouco menor. Essa queda de 9,7% comparada aos três primeiros meses do ano coloca o País na pior recessão de sua história.

A expectativa no início da pandemia é que teríamos uma queda no PIB neste ano entre 7% e 9%, felizmente os números não confirmaram e deveremos ter um recuo no PIB entre 4,5% e 5% em 2020.

Ocorreu um crescimento maior do que o esperado em alguns setores, o auxílio emergencial veio além das expectativas, o setor exportador continuou em alta, as importações caíram, mais o fato de a nossa economia ser pouco aberta acabaram contribuindo para uma queda menor do PIB.

A manutenção do auxílio emergencial até dezembro, mesmo que num valor menor (RS 300) deverá ajudar a manter o crescimento pontual um pouco maior, já que ajudará no consumo das famílias.

Os empresários/investidores estão atentos a qualquer desequilíbrio macroeconômico, tais como a alta da taxa de juros, repique da inflação, alta do dólar e o aumento desenfreado dos gastos públicos.

É preciso agilizar as reformas administrativa (essa que foi enviada ao Congresso não pode ser chamada de reforma) e tributária para que, aos poucos, a economia possa voltar a crescer, se não o necessário, mas pelo menos os 2,5% que estão previstos para o ano que vem.

O esforço global para a volta do crescimento será intenso, somente dois entre 48 países - China e Índia - registraram crescimento econômico nesse período. Essa queda no PIB neste segundo trimestre fez o Brasil retornar ao nível de atividade do pós-crise 2008/2009.

Conforme pesquisas divulgadas, comparativamente o impacto foi similar ao sofrido por EUA e Alemanha; mais intenso que na Ásia (China, Coreia e Japão). E menos profundo do que na Europa e no México.

Os setores que mais sentiram foram a indústria (- 12,3%). O setor de serviços que quase sempre amortece os choques, desta vez sentiu o baque (- 9,7%). É a primeira vez que uma crise fecha escolas, clínicas, shoppings, restaurantes, hotéis, aeroportos. O emprego e a renda foram afetados e diretamente o setor informal.

Ainda segundo a pesquisa, houve uma queda no consumo das famílias e do governo -12,5% e 8,8% respectivamente - mais a queda nos investimentos produtivos (- 15.4%).

Os números começam a ficar a nosso favor e parece que o pior ficou para trás, mas é necessária cautela. Se faz urgente a volta do crescimento da economia brasileira. Antes da pandemia já estávamos estagnados.

O quadro atual (últimos anos) mais parece uma depressão econômica do que uma recessão técnica, é preciso rever os caminhos. Os poderes constituídos precisarão passar confiança e se mostrar comprometidos com os ajustes necessários e as reformas inadiáveis. Não há espaços para populismo eleitoreiro.