Tratamento de esgoto

ARTIGO

Tratamento de esgoto

Caso 100% da população tivesse acesso à coleta de esgoto, haveria uma redução de 74,6 mil internações


- Mayara Carrasco Proto

É totalmente possível promover um avanço econômico, social e ecológico, mas sem prejudicar a natureza. Nesse contexto, a relação entre saneamento básico e meio ambiente é extremamente importante. Os sistemas de esgoto, a coleta de rejeitos, a reciclagem e o direcionamento das águas pluviais, entre outros pontos, têm um tremendo impacto no dia a dia dos municípios.

De acordo com o Trata Brasil, saneamento básico, é um conjunto de medidas que tornam possível garantir uma qualidade de vida melhor para as pessoas, mais oportunidades do ponto de vista econômico e, principalmente, a promoção da saúde, pois aumenta a salubridade das habitações e evita a proliferação de doenças. Como efeito paralelo, garante-se a preservação do meio ambiente. Existe uma relação direta, do ponto de vista econômico, com o saneamento básico. Caso 100% da população tivesse acesso à coleta de esgoto, haveria uma redução de 74,6 mil internações. Para se ter uma ideia, o custo de uma internação por infecção gastrintestinal no SUS foi de cerca de R$ 355,71 por paciente na média nacional, segundo o Trata Brasil.

Esse cenário também torna mais difícil reduzir a pobreza e a desigualdade, uma vez que as pessoas sem acesso ao saneamento são as mais pobres. São elas que acabam ficando mais doentes e precisam faltar mais ao trabalho, o que impacta diretamente na renda familiar.

A degradação ambiental é um dos impactos mais visíveis que a falta de saneamento básico pode proporcionar. Segundo estudos do Instituto Trata Brasil, todos os dias, 3.500 piscinas olímpicas de esgotos são despejadas em rios, mares e cursos d'água, apenas pelas 100 maiores cidades brasileiras. A solução já existe e é conhecida por todos nós. Porém os sistemas de tratamento de esgoto nas cidades além de serem impactantes estruturalmente, são extremamente caros para o governo e claro, para o cidadão, além de lentos quando comparados ao desenvolvimento das cidades. Diante do déficit sanitário, as soluções alternativas para o tratamento do esgoto, baseadas em sistemas simplificados, encontram grande aplicabilidade e têm apresentado vantagens sobre os sistemas convencionais por conjugar baixos custos de implantação e de operação.

Em busca de soluções simples e baratas, a permacultura apresentou-nos a Fossa Verde, também conhecida como Bacia de Evapotranspiração (BET) é o sistema de tratamento de esgoto que foi desenvolvido pelo permacultor norte-americano Tom Watson e chegou ao Brasil no início dos anos 2000. Além de evitar a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático, este sistema não gera nenhum efluente. Os dejetos humanos são transformados em nutrientes para plantas que retiram a água do sistema através do processo de evapotranspiração, devolvendo totalmente limpa para o meio ambiente.

Na BET acontece a digestão anaeróbia (sem oxigênio) do esgoto. Quem faz a maior parte do trabalho são bactérias que vivem no esgoto, se alimentando dele e transformando-o. Estas bactérias se alojam nas camadas de entulho, brita e areia, e tratam o esgoto à medida em que ele sobe pelo sistema.

As plantas são fundamentais no sistema pois são elas que se aproveitam da água que vem com a descarga e do "adubo" produzido pelas pessoas (fezes e urina humana são ótimas fontes de nitrogênio, fósforo e outros nutrientes). Como resultado desse processo as águas do vaso sanitário são tratadas, gerando alimentos (banana, taioba, etc) e água pura que evapora do solo e das folhas.

A Constituição Federal assegura o direito ao Saneamento Básico e as leis federais nº 11.445/2007 e nº 7.217/2010 estabelecem diretrizes para o saneamento básico nacional, admitem e incentivam a implantação de soluções alternativas para esgotamento sanitário. Informar e instruir a população das cidades para que a solução chegue mais rápido é fundamental para o nosso desenvolvimento social e humano.

Thaís Stela Artíbale Faria, É empresária, advogada empresarial, fundadora do Artíbale Faria Law, Presidente da Comissão de Propriedade Intelectual da OAB/SP e membro do conselho do Instituto TRI