Tempos difíceis

ARTIGO

Tempos difíceis

Proporcione aos que com você coabitam momentos de fraterna compreensão


Não. Não quero ser causa de aborrecimentos para você que já os tem aos montes. Vivemos tempos de pandemia e desumana política, e as consequências são os custos infligidos a nós brasileiros: prematuras ceifas de vidas humanas; perdas de emprego; quebras de empresas e a redução da produção, são apenas alguns, dentre outros, que desestabilizam o quotidiano da população. O relacionamento entre os poderes constituídos da Nação - Executivo, Legislativo e Judiciário -, causa sensação de profundo vazio em todos aqueles que almejam o imprescindível bem comum. Os representantes públicos digladiam entre si e parecem ter sido afetados pela confusão de línguas que reinava na Torre de Babel. Não se entendem. Além do mais, as explicações chegam ao povo num linguajar técnico de tão difícil entendimento (o juridiquês, o economês, e outros "ês" mais). Em suma, mais confundem que esclarecem aos que necessitam da compreensibilidade plena: os menos favorecidos, imobilizados sem esperanças na base da pirâmide social. Todavia, abstenho-me de comentários outros a respeito do clima de conflito gerado, por não ser um especialista na matéria.Proporei apenas algumas sugestões para aliviar a "prisão domiciliar", a que fomos condenados pelo despótico Covid-19. Não me fixarei nas incertezas que fizeram gerar o recolhimento domiciliar obrigatório, nem na incomunicabilidade pessoal entre grupos de amigos que há pouco se abraçavam, se beijavam e curtiam a presença mútua em encontros sociais.

Ei-las. Permita-se ter saudade de quando, ao som de um violão, em barulhentas reuniões dominicais, você se juntava ao seu grupo familiar com o coração explodindo de mágico afeto e infantil alegria. Cultive no seu íntimo o que sobrou daqueles venturosos momentos! Caminhe por campos, bosques e jardins e ouça a natureza que, com o seu linguajar sereno de beleza simples, tem o poder de revigorar almas desesperançadas. Adote a simplicidade como paradigma. Em casa, ao perceber o mau humor se aproximando, respire suave. Não grite, não brigue e nem responda a provocações. Proporcione aos que com você coabitam momentos de fraterna compreensão. Não os julgue e nem os condene. Volte ao manso respirar e dê-lhes um caloroso abraço. Sua alma flutuará. Avós, não fiquem presos ao muro das lamentações por estarem longe de seus netos e netas. Mandem-lhes áudios com histórias curtas e simples, que guardem relação com o universo deles. Façam como a jornalista Ivani Cardoso que virou contadora "on line", de histórias infantis ("A Tartaruga Tatá", "A Princesa Que Não Sabia Sorrir" e outras), para seus netos distantes! Os interessantes enredos terão importância vital na manutenção do afeto familiar e abrandarão a saudade! Não se adaptam à comunicação? Optem pelo silêncio. Este é a voz que reflete nossas memórias. Busquem no passado a receita para o presente. O dia tem 24 horas. Não as desperdicem. Usem-nas com disposição e coragem para restaurar o que foi partido em suas vidas. Mergulhem, vocês outros que sofrem de preocupações diversas, em águas exóticas de culturas diferentes ou tentem iluminar a escuridão de quem os cerca com luzes de ânimo e amor. Reajam e sigam incógnitos altruístas que compram cobertores, comida e outros artigos de primeira necessidade para distribuí-los aos mais pobres de suas comunidades. Ah, não se liguem, porém, só em necessidades materiais. Sejam menos corpos e mais almas.

Brindem os mais carentes com o fôlego reconfortante do Amor Maior; enxerguem-se neles; abracem-nos e façam-nos abrir o olhar para ao menos um pedacinho de céu!Se todos agirmos assim, ficaremos em paz conosco mesmos e com o mundo, e superaremos os tempos difíceis que ora atravessamos, com galhardia e leveza d'alma!

Sejamos humanos.

Robledo Morais, Juiz de Direito aposentado