Uma estrela no céu de Rio Preto

ARTIGO

Uma estrela no céu de Rio Preto

O Diário da Região registra a notável participação social da professora Nilce no artigo 'A Dama da História'


Dizem que quando morrem pessoas do bem, que agem em prol do coletivo e registram a história para que dela não se deturpem os fatos, surgem estrelas nos céus. O céu de São José do Rio Preto está mais iluminado com a partida recente, para o além, da Professora Nilce Aparecida Lodi. A UNESP emudeceu-se com sua partida, decretando luto oficial por três dias. Se existem registros fiéis da história dos movimentos estudantis, de outrora, para a criação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São José do Rio Preto, ali está gravado a presença da jovem Nilce e de dezenas de jovens idealistas a confundirem-se com bravos guerreiros trocando a espada pela pena, em defesa da Educação e da Cultura. Muito cedo manifestou uma trajetória vocacional que a levou cursar a recém-criada Escola Normal no Colégio Estadual de Rio Preto, hoje Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves, concluindo-a em 1953, em 1º lugar de sua turma. Fez jus a uma cadeira de professora efetiva como premio instituído pelo Governo do Estado, à época. É egressa da primeira turma do Curso de Pedagogia da FAFI (1957-1960) e foi a primeira ex-aluna a ser contratada pela faculdade em 1962, para ministrar a disciplina de História da Educação, cujo Catedrático era o Prof. Casemiro dos Reis Filho. As perseguições políticas advindas do golpe militar de 1964 levaram à quase extinção do Curso de Pedagogia pelo número de docentes demitidos, dentre os quais estava o Prof. Casemiro dos Reis Filho, orientador da Profa. Nilce que, no período de 1964 a 1967, assumiu todas as disciplinas da História da Educação, nas quatro séries do curso de Pedagogia.

A partir de então se ocupou da formação de novos professores para a rede estadual de ensino e para o ensino superior, ofertando aos graduandos Monitorias que os qualificaria para a carreira universitária. Doutorou-se em Filosofia em 1968 com a tese "O Ensino Médio em Rio Preto, 1920-1949 - Contribuição ao Estudo Histórico das Instituições de Ensino no Brasil". O Diário da Região, na edição de 28/07/2020, registra a notável participação social da Profa. Nilce no artigo denominado A Dama da História. Participava da Comissão de Resgate da História da FAFI-IBILCE, que em 2019 propôs à UNESP a concessão do título de Professora Emérita. Lamentavelmente a suspensão das atividades acadêmicas, em vista da pandemia que nos atinge, não foi concluída a justa e merecida homenagem. Sentiremos a sua falta Professora Nilce, tal qual sentimos a sua ausência nos cerca de 400 domingos em que abríamos o Diário para ler a coluna História, quando prestava tributo às personagens e instituições que fizeram São José do Rio Preto. Durante 60 anos acompanhou e registrou a história da FAFI-UNESP cultivando o lema da antiga Faculdade de Filosofia: SAPERE AUDI - ouse saber.

Arif Cais, Biólogo da Unesp e membro da Comissão de Resgate da História Fafi-Ibilce, também formada pelos professores Adelina Buzzini, Antônio Manoel dos Santos Silva, Laerte Miola, Nilce Aparecida Lodi (in memoriam), Zuleika Aun, Wilson Maurício Tadini e Dario Xavier Martinelli