Vale a pena mudarmos

ARTIGO

Vale a pena mudarmos

Não adianta sermos melhores profissionais se não buscarmos ser melhores pessoas


Sair da mesmice dá trabalho... Então, o que geralmente fazemos? Nada. A não ser reclamar e dizer o seguinte, para quem convive conosco: Sou assim. Quem gostar, goste. Quem não gostar, que se afaste.

Quantas vezes falamos assim? E, de verdade, lá no fundo, cremos que é bom viver sempre sendo o que somos? Afirmar que não estamos abertos a mudanças?

Pior ainda, é afirmar que somos sim abertos a rever conceitos, fazer cara e pose de reflexão, de humildade para assumir os próprios limites, mas não o fazemos de verdade.

Sair da mesmice dá trabalho, de fato. Porque temos que estimular nossa mente em busca de alternativas, atividades e atitudes que virão a agregar conhecimento. E evoluir, embora seja o objetivo da raça humana, vai contra os princípios de acomodação e falsa estabilidade que muitas vezes assolam nossa vida.

Alguns de nós creem que a mudança principal deve ser na profissão. Crescer no trabalho é o principal objetivo de vida. Só que não adianta sermos melhores profissionais se não buscarmos ser melhores pessoas. Uma hora, haverá choque.

A principal ideia do escritor Domenico De Masi, autor do livro O Ócio Criativo, é o ser humano fazer melhor uso de seu tempo, sempre. E com isso progredir. E todo progresso significa que algo deve mudar. Pra melhor.

A definição deste estado de espírito do ócio, descrito por De Mais, é aproveitarmos nossos momentos, incluindo lazer, descanso, conversa com os amigos, estudo, enfim, tudo o que não seja denominado trabalho para absorvermos o que nos vai ao redor. E assim, criarmos as condições necessárias para aprender e crescer com as experiências.

Não progredimos só trabalhando. Progredimos vivendo em quaisquer circunstâncias, se estivermos dispostos a rever conceitos.

Toda movimentação, mudança de rumos, cria temores do desconhecido. Não porque seja necessariamente pior frente ao que vivemos. Mas é diferente. E aí entra a dificuldade que temos em assimilar o novo e desfazer-se do velho, daquilo que já estamos acostumados.

Então, sem perceber, vivemos no obscurantismo de ideias e ficamos vulgares.

Porque nos acomodarmos sempre fazendo o mesmo, ou esperar que pensem alternativas por nós, tornamo-nos estagnados. E estagnar-se, parar no tempo, crer que não precisamos evoluir, é o caminho para o fracasso profissional e pessoal. Aí sim, teremos muito trabalho para manter, ou reconquistar, o que perdemos por simples preguiça de pensar, de criar, ou acomodação com o status quo particular.

Mudar a forma de pensar é para quem tem coragem.

Poucos de nós assumimos que fomos ou estamos sendo equivocados com a maneira de encarar a vida. Preconceitos enraizados e orgulho doentio nos fazem dizer: "nasci assim e morrerei pensando assim. Quem quiser que me aguente". Dependendo da situação, tenho que alertar: geralmente, não se aguenta quem é turrão e preconceituoso. O resultado será solidão ou antipatia. Ou os dois...

Se seguirmos este padrão de atitude, corremos o risco de continuar sem nos conhecer. Deixaremos de perceber que o que está nos atrapalhando a caminhada é não rever convicções particulares que estão arraigadas em nossa mente e nos acomodam.

Ser acomodado, uma hora ou outra, irá nos fazer insatisfeitos ou estagnados.

E de que adianta uma vida de mais do mesmo? Isso não é viver. É vegetar na falta de criatividade. Crie, recrie e renasçamos. Sempre. A natureza e a vida agradecerão!

Carlos Alex Fett, Consultor empresarial; Rio Preto