A carreira acadêmica

ARTIGO

A carreira acadêmica

Fica a esperança de que a percepção pública acerca da importância da Ciência torne-se menos retórica


A reprochável prática de falsear informações num currículo não é incomum, todavia, no meio acadêmico é considerada uma transgressão inadmissível. Aliás, teria sido esse o motivo que levou o Prof. Carlos Alberto Decotelli a ver frustrada sua nomeação como ministro da Educação, episódio que deve ter contribuído para a equivocada ideia do que ocorre no interior das universidades e dos centros de pesquisa do país (a exemplo das insensatas manifestações do ex-ministro Weintraub). A verdade, porém, é que, mesmo diante de suas fragilidades estruturais (agravadas pela carência de investimentos em C&T), tem sido elogiável nosso desempenho em rankings internacionais, como o atual posicionamento de sete das nossas universidades - incluídas a USP, a Unicamp e a Unesp - entre as 10 primeiras colocadas, num total de 150 instituições de 12 países da América Latina.

Da mesma forma, sem desejar nos estender, é flagrante o reconhecimento da essencialidade do papel da ciência brasileira no combate, por exemplo, ao novo coronavírus, comprovada pelas parcerias na produção de vacinas entre a Fiocruz e a britânica Universidade de Oxford e entre o Instituto Butantã e um laboratório chinês. Daí, talvez, seja oportuno discorrer um pouco sobre a carreira acadêmica, trajetória profissional que se desenvolve no ambiente universitário e que tem como uma de suas nobres missões a produção e a disseminação do conhecimento junto ao fascinante e seleto mundo da pesquisa científica.

Começamos lembrando que a graduação, o primeiro nível do ensino superior, é também a primeira etapa para quem deseja percorrer essa trajetória, atuando como docente ou pesquisador. A opção requer a continuidade dos estudos em duas novas etapas, uma em "nível de mestrado", outra em "nível de doutorado", com base em programas de "pós-graduação stricto sensu", os quais exigem a aprovação num conjunto de disciplinas (os "créditos") e a submissão a um "exame de qualificação" (com base nos créditos). Em seguida, em nível de mestrado, vem a exigência da elaboração de uma "dissertação" (orientada por um doutor na área escolhida), culminando com o "título de mestre", e, em nível de doutorado, a elaboração de uma "tese", culminando com o "título de doutor".

Por fim, enfatizamos que: a dissertação de mestrado não cobra ineditismo, diferente da tese de doutorado, que deve primar por originalidade, relevância e aprofundamento do tema investigado; a carreira acadêmica subentende o "pós-doutorado", atividades de aprimoramento numa universidade ou instituição de pesquisa; o profissional tem o dever de socializar o conhecimento produzido, por meio de artigos científicos, livros, congressos e demais trabalhos, acadêmicos ou de pesquisa. De resto, fica a esperança de que a percepção pública acerca da importância da Ciência torne-se menos retórica e mais efetiva, afinada com as verdadeiras urgências do país. Não é pedir muito diante do que temos visto ao longo do nosso embate com a pandemia que nos aflige.

Wilson Maurício Tadini Eurípides A. Silva, Doutores em Matemática pela USP e ex-diretores do Ibilce, campus da Unesp de Rio Preto