Os números dos candidatos

ARTIGO

Os números dos candidatos

Será que a escolha de um determinado número pode trazer benefício a um candidato?


Estamos vivendo o período pré-eleitoral. Os candidatos estão em busca de arregimentar seus exércitos, buscar a documentação exigida e de escolha do seu número para concorrer ao pleito. Mal sabem eles que a escolha pode determinar sua eleição ou não.

Antes da urna eletrônica os candidatos proporcionais concorriam apenas com seu nome ou apelido. A apuração era bem demorada. Durava até uma semana. Mesários, juízes, fiscais dos partidos e os cidadãos mais interessados permaneciam confinados ali no Palestra. Era uma dificuldade interpretar as escritas contidas nas cédulas.

Lembro-me de certa vez que o Marcelo Gonçalves concorreu ao cargo de deputado estadual e vários votos dele foi contabilizado para o Marcelo Andorfato de Araçatuba; pois este último já tinha concorrido em pleito anterior em que utilizava apenas o nome Marcelo. Notadamente, o eleitor rio-pretense queria votar no Gonçalves, mas acabou ajudando o seu xará.

Tinha muita confusão desse tipo. Ainda bem que a maioria do povo, nas candidaturas de deputados ou vereança deixavam em branco. Assim, a votação dos proporcionais eram baixas. Mas mesmo assim engendrava certa confusão.

Com o advento da urna eletrônica, houve mudança comportamental do eleitor. Na urna eletrônica tem que votar em um número, assim o eleitor foi convocado a levar sua "cola". Com isso houve um aumento significativo dos votos válidos nas candidaturas em geral.

Antes da urna eletrônica o deputado federal mais votado foi o Lula com 650 mil votos em 1986. Agora temos Tiririca e Russomano que fazem 1milhão e meio de votos. Na última eleição o filho do Presidente e a jornalista Joice tiveram ainda mais que isso.

Mas será que a urna eletrônica ainda permite o erro na hora da votação? Será que o eleitor quer votar em alguém e acaba dando seu voto para outro? Será que a escolha de um determinado número pode trazer benefício a um candidato? Pretendo provar que isso ocorre de fato! E que na hora da escolha de seu número, o candidato deve ficar atento para algumas situações.

Nas eleições de 2010, o candidato mais votado para deputado estadual foi o João Paulo Rillo, com o número 13.622, alcançando quase 65 mil votos na cidade de Rio Preto. Teve um candidato a Federal que conquistou 657 votos, denominado Reginaldo Pernambucano, morador de Itapevi, que concorreu com a numeração 1362. Não conheço nenhuma pessoa que tenha feito campanha para o Reginaldo. Em Itapevi, ele teve 42 votos apenas.

Esse candidato ao todo fez pouco mais de 1900 votos, sendo que a grande maioria aqui na Região: 39 votos em Tanabi, 33 em José Bonifácio, 28 em Nova Granada, 27 em Monte Aprazível e assim por diante.

Em 2014, última eleição que o primeiro voto era para deputado estadual, o candidato a deputado federal Professor Rogério Mathias, No. 1311, obteve 16.085 ao todo, sendo 71 votos na cidade dele Poá. Ocorre que seu número são os quatro números iniciais são também de vários deputados estaduais eleitos (Barba-13110, Gerson-13112, Marcia Lia 13113 e Enio-13114). Nas cidades bases destes deputados ele teve, respectivamente: São Bernardo - 427 votos; Campinas - 400 votos; Araraquara - 501 votos e São Paulo - 6.984(A capital é a base do Enio, mas todos os citados tiveram muitos votos ali também).

Esses erros referem-se, principalmente, a pouca escolaridade do nosso eleitorado. Quiçá eles nem devem saber o que diferencia o deputado estadual do federal? Assim, o cidadão na cabine eleitoral digita o mesmo número do deputado estadual para o federal, não confere foto e confirma. A pressa em terminar o processo de votação deve ser um fator decisivo.

Mas o que isso pode significar de positivo quando um candidato escolhe um determinado número? Nesses dois casos apontados nesse artigo, poderiam ter decidido quem assumiria uma cadeira e quem ficaria suplente. Veja o exemplo de 2014: a diferença do último eleito (Valmir Prascidelli - 84.419) foi apenas 5.793 votos. Assim se o Marcolino tivesse concorrido com o número 1311, em vez do 1331, certamente teria sido eleito.

Ailton Bertoni, Advogado rio-pretense