O respirador

ARTIGO

O respirador


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A construção civil é um setor que pode ajudar a economia a se recuperar, pois gera emprego intensivo e se interliga com vários setores da cadeia produtiva. E isso começa a acontecer não de forma que desejávamos, mas bem mais rápida do que outros setores importantes da economia. A recuperação em V (cai rápido, sobe rápido) tão esperada por diversos setores em meio a essa pandemia, pode.se tornar uma realidade no mercado imobiliário no estado de São Paulo, o mais consistente do País. Em outros estados vem ocorrendo de forma mais lenta. O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi--SP), Basílio Jafet, diz que a sensação é que ocorreu mais um adiamento de que uma desistência das compras. Os dados de junho ainda estão sendo compilados, mas uma sondagem preliminar mostra que as vendas já chegaram a 85% do esperado para o mês. É claro que os lançamentos e as vendas são menores que antes da crise, mas começa a aparecer resultados positivos.

Alguns fatores explicam essa melhora nos negócios. A mais importante é a queda de taxa de juro média do financiamento imobiliário, está no menor patamar da história, segundo dados do Banco Central. Em maio ela chegou a 7.16% ao ano. No começo de 2019, estava em 8,31% e no começo de 2017, 10,90%. A estimativa é que a redução de cada ponto percentual nos juros represente um desconto de 8% na parcela do financiamento, e aí ela começa a caber no bolso do consumidor.

Outro fator que gera otimismo é que na última crise, entre 2015 e 2017, as vendas de imóveis residenciais ficaram em torno de 60% do seu nível histórico. Isso acabou gerando uma demanda reprimida que acabou ajudando nas vendas. É importante dizer que os imóveis estão relativamente baratos, uma vez que a alta dos preços não acompanhou a inflação. Segundo o mercado financeiro a desvalorização média dos imóveis nós últimos cinco anos foi de 25%, principalmente nas capitais. A queda de taxa selic que vem provocando um rendimento menor das aplicações financeiras também tem contribuído bastante para o aumento da demanda de imóveis. Por outro lado o aluguel de imóveis voltou a ser um investimento atrativo, o retorno está na casa de 5% ao ano, não deixa de ser um bom número se comparada a taxa básica de juros (Selic) de 2.25% ao ano.

Recentemente, o Banco Central ampliou o acesso ao crédito, permitindo que o imóvel financiado possa ser usado como garantia em novas operações de crédito. De acordo com o Banco Central (BC), quem possui um financiamento imobiliário poderá ir aí banco e solicitar novo crédito. O Banco Central mostra que o crédito com garantia de imóvel financiado tem potencial para injetar RS 60 bilhões no sistema.

E não podemos deixar de frisar que em tempos de crise a questão comportamental (as pessoas tendem a ficar mais em casa) e a segurança desse tipo de investimento contribuem para o crescimento do setor. Em meio a tantos números e análises negativas, temos uma notícia alentadora, que poderá ajudar de forma consistente na recuperação da economia.