Praças, legado da crise

ARTIGO

Praças, legado da crise

A atual gestão municipal construiu e intensificou a manutenção da infraestrutura desses espaços


- João Passos/Estúdio Poliphoto

Praças e parques têm papel fundamental na vida das pessoas que vivem em grandes cidades, onde boa parte da população reside em espaços cada vez mais compactos. Se nas cidades brasileiras frequentar uma praça era comum em meados dos anos 1970, esse hábito tornou-se menos frequente, quase em desuso, pela falta de segurança, mas principalmente, pela falta de estímulo. Em contraponto a situação real, as praças devem ser orgânicas, cheias de vida, com vegetação abundante em espaço contemplativo, boa infraestrutura, interatividade e atividades programadas.

Muito embora São José do Rio Preto ultrapasse os padrões apregoados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere uma árvore para cada habitante - pesquisa divulgada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, o calor desestimula atividades físicas ao ar livre. Efetivamente, a temperatura do planeta tem aumentado, um bom argumento para que plantemos árvores, principalmente nos logradouros públicos, praças, parque e nas ruas. Todavia, é indiscutível que nossa cidade tem poucas praças e parques, além do fato de não serem suficientemente atraentes para atender a população. Com as medidas protetivas, adotadas em virtude da pandemia, foram fechados estabelecimentos, tais como as academias de ginástica e, por isso, pessoas que mantêm o hábito de se exercitar optam por não interromper suas atividades físicas e esportivas. As praças são disputadas e valorizadas por educadores físicos, que transformam esses espaços em academias ao ar livre, e também por famílias com filhos para preencher o tempo ocioso, resultado do fechamento das escolas durante a quarentena.

É notável que a atual gestão municipal construiu e intensificou a manutenção da infraestrutura desses espaços. Porém, ainda é insuficiente para a qualidade de vida que desejamos. Qualidade de vida, segundo a pesquisadora Maria Cecília de Souza Minayo é "um híbrido biológico-social, mediado por condições mentais, ambientais e culturais". Por isso, construção, manutenção e segurança das praças provêm do setor público, que pode ser no formato de Parceria Público Privada, modelo que a prefeitura, por meio da Secretaria de Serviços Gerias, tem conquistado como o projeto "Viva Praça". Projetos musicais, teatrais, shows e entretenimentos gratuitos devem ser incentivados pelo poder público como meio de acesso à cultura. Considerando também que as praças e parques são espaços dedicados ao lazer onde, segundo o autor Dumazedier (1979), ao significar a palavra lazer, define como o conjunto de ações escolhidas pelo sujeito para diversão, recreação e entretenimento, tem-se um processo pessoal de desenvolvimento, de caráter voluntário e é contraponto ao trabalho urbano-industrial. Lembrando, por fim, deixo o sucesso musical, interpretado pelo cantor Ronnie Von no período da Jovem Guarda, que traz à luz a importância do espaço público na vida íntima de cada pessoa: "A mesma praça o mesmo banco o mesmo jardim/ Sempre eu vou lembrar do nosso banco lá da praça".

Célia Gomes, Presidente do Conselho Municipal de Turismo, Rio Preto