Sustentabilidade

Hipólito Martins Filho

Sustentabilidade

Os investimentos internacionais têm sido orientados pela preocupação com o meio ambiente e a vergonhosa desigualdade social


-

Está difícil para o governo Bolsonaro entender que desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente caminham de mão dadas e que pouca coisa vai acontecer sem passar por esses laços maternos. Se nada mudarmos, nos transformaremos em pária dos investimentos externos e certamente trará sérios problemas para a nossa economia.

Não que a pressão internacional só tenha boas intenções, sabemos o quanto estamos incomodando com o avanço e a produtividade do nosso agronegócio, mas temos muitos problemas a resolver quando se trata de questões ambientais. Os investimentos internacionais têm sido orientados pela preocupação com o meio ambiente e a vergonhosa desigualdade social.

A imagem do Brasil é das piores no exterior, particularmente na Europa - que poderá inviabilizar o acordo comercial União Europeia-Mercosul. A falta de uma política ambiental afasta aporte de fundos internacionais. Eles não querem associar os seus nomes a empresas que agridem o meio ambiente e já excluíram do seu portfólio a Vale (caso Brumadinho) e Eletrobras (usina de Monte Belo).

A questão do desmatamento, queimadas, grilagens, etc sempre estiveram presentes na Amazônia. Precisamos determinar as estratégias que adotaremos para atacar e amenizar esses problemas. Ninguém está falando em perda de soberania. O problema é outro, é a fauna, flora, povos indígenas ou não daquela região, assim como as questões climáticas e outros que darão sustentabilidade a vida e aos negócios.

A Amazônia não pode ser vista apenas como uma mercadoria, mas como um santuário a ser preservado e quando utilizados seus recursos, que seja de forma adequada e não predatória. Ou o governo encara esse problema - e parece que está surgindo algum entendimento - ou logo nossos produtos serão boicotados e nossas exportações do agronegócios, que vêm sustentando nossa economia, poderá passar por problemas.

O que impede de fazer parcerias com os países que queiram ajudar na solução do desmatamento, queimadas, novas tecnologias etc. Os críticos dirão que eles estão propondo o que não fizeram em seus países, eu também acho, mas também o mundo não é mais àquele.

Temos novas demandas, novos olhares, novos problemas e que certamente a Amazônia pode ser parte dessa solução, inclusive do ponto de vista econômico. Avançamos muito na agropecuária sustentável, reduzimos a emissão de gases de efeito estufa, temos um código florestal respeitado, entre outras coisas.

Os especialistas atestam tudo isso, mas as grilagens, invasões, incêndios criminosos também estão presentes. O governo precisa agir rapidamente para não inviabilizar novos negócios, novos investimentos dos grandes fundos. A questão não é optar entre desenvolvimento e sustentabilidade, eles são parte do mesmo processo, são indissociáveis.

Não teremos crescimento de curto prazo e longo prazo sem considerar essas questões umbilicalmente ligadas. Se almejamos sair desse crescimento pífio, vergonhoso e crônico após a pandemia (1% a 2% ao ano), teremos que fazer as reformas necessárias, incrementar a nossa produtividade, abrir a economia e entender definitivamente que se a Amazônia atender às expectativas desse novo mundo estaremos dando um passo enorme para o futuro.