Vários autores - Investimentos estrangeiros

ARTIGO

Investimentos estrangeiros


-

A economia mundial levará um bom tempo para reencontrar o caminho do desenvolvimento sustentável e não será diferente por aqui, mesmo porque não o tínhamos encontrado antes da crise pandêmica. Os nossos três principais parceiros comerciais também tem seus problemas para resolverem. O secretário--geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antônio Guterres, diz que enquanto os EUA se isolam cada vez mais, deixando as alianças ou chantageando organizações multilaterais, a China força sobre elas seu poder de compra.

A Argentina voltou às suas crises cotidianas. Ainda segundo Guterres temos "Quatro Cavaleiros do Apocalipse" de difícil solução: rupturas geopolíticas; agressão ambiental a beira do irreversível; desconfiança da globalização; e o lado tenebroso da tecnologia digital. E para ampliar a complexidade para encontrar as soluções para saída da crise temos a pandemia. Nenhum deles - assim como o crime organizado, o terrorismo ou a proliferação nuclear - pode ser confrontado sem coordenação multilateral conclui o secretário geral da ONU. Acrescente a isso a espantosa falta de líderes mundiais aptos a enfrentar esses delicados problemas, que requer muita habilidade política.

O Brasil pelo fato de não ter uma poupança satisfatória, contas públicas desarrumadas e agravadas pela pandemia necessita de investimentos estrangeiros para fechar a conta. O efeito da pandemia da Covid-19 sobre o fluxo de investimentos estrangeiros diretos em 2020 é preocupante. Deverá ocorrer uma queda desses investimentos próxima a 40% em relação ao ano passado, de 1.54 trilhão de dólares, ficando abaixo de 1 trilhão de dólares pela primeira vez desde 2005, de acordo com a projeção do Relatório dos Investimentos Mundiais 2020 elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Os Países da América Latina e do Caribe receberão nesse ano apenas a metade do total de uss 164 bilhões que obtiveram no ano passado. A pandemia mostrou a todos àqueles que não queriam ver um misto de dificuldades políticas e sociais com fragilidades estruturais em vários Países, inclusive o Brasil. A queda dos preços internacionais de petróleo e commodities em geral, importantes na nossa pauta de exportações, deixou o problema mais sério, mesmo considerando a longeva contribuição do agronegócio para as nossas contas correntes.

Os Bancos Centrais já jogaram 6 trilhões de dólares no mercado financeiro desde o começo da pandemia. Mas estrategistas de bancos e gestores mostram cautela sobre as chances do Brasil atrair parte desse capital no curto prazo. Com exceção do saneamento básico que se for bem conduzido e há vontade política para isso, poderá trazer entre RS 500 bilhões a RS 700 bilhões de investimentos e gerar aproximadamente um milhão de empregos e otimismo para a saúde pública.

Temos juros reais negativos, recessão, problemas fiscais, instabilidade política, privatizações que não saem dos discursos que afastam os investimentos. Esses indicadores nada promissores no momento podem ser modificados a médio prazo. A pandemia está atrapalhando bastante, mas a instabilidade política tem sido sua parceira.