Incógnita

ARTIGO

Incógnita

Veio a pandemia. A sociedade se fragmentou, as salas de aulas se tornaram 'palácios abandonados'


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O mundo e o Brasil, está convivendo com mais uma pandemia e com ela um verdadeiro acirramento dos ânimos, do confronto de ideias, de opiniões desencontradas, de uma verdadeira guerra entre os que aceitam as regras e os que contra elas se rebelam. Some-se a tudo isto a quarentena e o consequente enclausuramento da população, da família, dos escolares e, como tempero amargo, o fechamento de comércio, de indústrias, do profissional liberal, enfim, de toda a sociedade humana.

Como pedagogo e professor na área de ciências exatas por cerca de quarenta anos, nos três graus educacionais, vivi uma época em que a sala de aula era a representação concreta do futuro, da formação dos cidadãos em suas várias áreas de profissionalização, da formação familiar, enfim, a joia da sociedade em todos os sentidos. As aulas eram presenciais, com rígido sistema de frequência, de estudos complementares em vários níveis. As diferenças individuais e a inclusão fizeram parte desta construção social. Passou o tempo, e veio a instituição da promoção continuada, vieram processos de facilitação educacional com cursos 'online' e a educação se tornou numa mina de ouro para aqueles que fizeram dela um lucro certo sem que a formação fosse o alicerce real do projeto. A informação e a formação são os pilares de uma educação verdadeira.

Novamente a ação do tempo se registrou e veio a pandemia da Covid-19. A sociedade se fragmentou, as salas de aulas se tornaram em 'palácios abandonados'. A escola é vista atualmente como algo perigoso, assombrado pelo novo corona vírus. O sistema 'on line' se tornou numa pseudo solução da crise. O professor ficou atrás da tela do computador. A mãe teve de se desdobrar nas lides familiares e educacionais. O educando se vê numa crise bem maior do que ela é e percebe, sem dúvida, as incertezas que rondam seu futuro, sua formação, sua inserção no mercado de trabalho e no próprio núcleo social. A sala de aula era, também, um fio de ligação entre os colegas de sala, com os professores, diretores, administradores escolares e até o caminho percorrido até a escola era uma coisa fantástica, cheio de esperanças. Tudo isto está em perigosa letargia. Parece que a catalepsia tomou conta do corpo educacional.

O que vem pela frente? A vacina virá quando? Ela será a porta de escape da crise ora em andamento? Milhares de vidas foram e estão sendo ceifadas brusca e ameaçadoramente. É claro que passará mais esta crise, mas, quando e o que restará depois dela? Em termos educacionais, em todos os níveis, o ano de 2020 está perdido e o hiato cultural e educacional registrado jamais será preenchido.

Antonio Caprio, Prof. Dr., presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico (IHGG) de São José do Rio Preto.