Simplicidade gerencial

ARTIGO

Simplicidade gerencial

Os melhores gestores não se comportam como chefes arrogantes, mas agem como servidores


Na maioria das escolas de negócios, pós-graduações ou cursos especializados em gestão corporativa a busca por desenvolvimento de habilidades como lideranças, boas práticas e tomada de decisões estratégicas costuma ser o frequente motivo dos alunos participantes com o único desígnio de futuramente se transformarem em bons gerentes, com alto grau de instrução. Contudo, a degeneração da formação de grandes lideranças inicia-se com o pensamento superdimensionado de que é possível aprender a gerenciar competentemente sentado em uma cadeira, assistindo algumas palestras.

Na verdade, quando falamos de gerenciamento, seja ele de pessoas ou processos, as ideias mais simples são as melhores e mesmo assim costumam ser as mais difíceis de se atingir, pelo fato de tudo fazer parte de uma conjuntura de habilidades que se aprendem melhor através da experiência com pessoas, do que com cursos caros de instituições renomadas. Coordenar, gerenciar e liderar são ideias simples mas que exigem cautela, assim como dirigir um carro ou pedalar em uma avenida também são atividades fáceis que exigem muita cautela e atenção redobrada. Gerenciar e coordenar são o conjunto de ações que incentivam determinado grupo de pessoas ao direcionamento e busca de uma meta ou objetivo especifico perante as tantas mudanças e imprevisibilidades de muitos fatores que ocorrem no oceano chamado oferta versus demanda.

Há uma receita básica sobre gerenciamento: selecione um número reduzido de profissionais capazes de fazer o que deve ser feito com prontidão e qualidade, seja claro na comunicação perante a equipe, trate as pessoas com todo o respeito possível, propicie um ambiente saudável para que todos possam ser produtivos e criativos, seja cauteloso com as certezas e duvide das suas próprias convicções quando alguém lhe oferecer alguma ideia que pareça ser lunática ou inovadora pois talvez seja a solução tão procurada, e finalmente mensure, colete dados e implemente métodos para verificar se suas ações estão de fato funcionando. Se aplicar devidamente estes princípios você poderá obter bons resultados, ignore estes princípios e brevemente estará distribuindo currículos em outras empresas. Lembre-se quanto mais alto o seu cargo, maiores as suas responsabilidades e sua mesa de trabalho mais próxima ficará da porta de saída da empresa na qual trabalha. Não se lidera sendo negligente ao não saber lidar com gente.

Na nossa imaginação criamos uma ilusão de que gerentes são altos executivos sentados em mesas grandes, com excelente vista em algum arranha-céu tomando decisões com um laptop na mesa. Na vida real, um gerente deste tipo teria sérios problemas em chão de fábrica e uma gestão contraproducente. Os melhores gestores não se comportam como chefes arrogantes e mandatários. Muito pelo contrário, apresentam comportamento de servidores e assistentes de produção tentando entender o que está havendo de errado, mesmo sem ter conhecimento específico em centros de trabalho, máquinas e equipamentos. Os bons gestores trazem dentro de si o objetivo de unir e desenvolver processos juntamente com pessoas que possuem habilidades de grande importância, para que a melhor parte da empresa funcione perfeitamente: a produção. Sendo assim, somente é justo qualificar um gerente com excelência, quando este der o melhor de si no direcionamento de ações, tomada de decisões justas e sábias, se comprometendo com a meta definida no planejamento da empresa.

Bons gerentes não se preocupam com o topo da organização, estão mais preocupados em voltar sua atenção no seu pessoal, naquelas pessoas que estão na linha de frente, que pegam material e os transformam em produto dia após dia; são estas pessoas que asseguram o topo da organização. Isto não se aprende em escolas, mas em chão de fábrica e vivência profissional.

Pablo Dávalos, Engenheiro de produção e analista de planejamento e controle de produção; Rio Preto.