Fique em casa

ARTIGO

Fique em casa

Por mais que a ciência pesquise sobre o comportamento do vírus não há, ainda, tratamento eficaz


A cada dia a ciência descobre algo novo e, a cada dia, as redes sociais, viralizam esses achados, interpretando-os, conforme o viés político que defendem. Ocorre que a população navega nesse mar revolto, sem saber direito o que está acontecendo. Ávido por boas novas, fica vulnerável a estas falsas notícias, conhecidas como fake news. Portanto, é preciso muito cuidado com mensagens que viralizam nas redes sociais. Também, é bom haver cautela quanto à interferência externa, seja ela, política ou não, exercendo pressão sobre os gestores da Saúde. É inevitável a analogia com o avião supersônico Tupolev que, em 03/06/1973 caiu durante Show aéreo de apresentação em Paris. Exemplo que a pressão externa, por pressa nas tomadas de decisões, pode ter um desfecho fatal. Outra amostra que a pressa não dá bons resultados, é que, regiões da Itália e Grã-Bretanha, estão questionando na justiça os gestores responsáveis por organizar o isolamento social e não o fizeram em tempo hábil. O que teria evitado muitas mortes, segundo os acusadores. O problema é que, por mais que a ciência mundial, pesquise sobre o comportamento deste vírus, e o faz muito, não há ainda, um tratamento definitivo e eficaz contra a doença Covid-19. Uma teoria aceita é que, a atividade e agressividade deste vírus depende de cada pessoa, com sua imunidade própria e a forma com que seu organismo reage às agressões do novo coronavírus.

Assim, como dizia o jornalista e crítico literário Americano, Anatole Broyard, "cada indivíduo adoece à sua maneira". Segundo estudos científicos recentes do departamento de imunologia e doenças infecciosas e do departamento de epidemiologia da Universidade de Harvard - EUA, o principal meio de transmissão da doença Covid-19, é através um estreito contato de pessoa para pessoa. Uma equipe de pesquisadores do Texas e da Califórnia comparou as tendências da taxa de infecção por Covid-19 na Itália e na cidade de Nova York antes e depois das máscaras faciais serem obrigatórias. Ambos os locais começaram a ver as taxas de infecção achatarem-se apenas após a adoção obrigatória da máscara facial. "O uso de máscaras faciais em público é o meio mais eficaz de impedir a transmissão inter-humana, em conjunto com o distanciamento social, a quarentena e o rastreamento de contatos, enquanto não desenvolvemos uma vacina", diz o estudo. Cumpre que, enquanto o mundo aguarda o surgimento de uma vacina, ou tratamento eficaz contra esta doença, o que dá para fazer hoje, é evitar a contaminação. É coisa sabida que, ninguém aguenta mais ficar em casa, entretanto, para não sobrecarregar ainda mais, os recursos da Saúde, se puder, fique em casa.

Pedro Teixeira Neto, Médico e membro do Comitê de Segurança de Pacientes da Associação Paulista de Medicina.