O amigo do presidente JK

ARTIGO

O amigo do presidente JK

João Batista participou ativamente da campanha para governador e, depois, para presidente da República


A crônica "Presidente JK", publicada aqui neste espaço do Diário da Região, chamou a atenção de algumas pessoas, dentre elas o nosso querido fotógrafo Jorge Maluf. Sempre generoso, teceu elogios aos meus escritos, pelos quais agradeci. Falou também que em Rio Preto mora um antigo amigo do nosso sempre amado Juscelino Kubistchek. Eu, claro, desejei saber quem era, até para dar continuidade à crônica anterior. Jorge, gentilmente, me passou o contato.

João Batista de Queiroz, advogado, mineiro de Patrocínio, 88 anos bem vividos, casado com dona Lurdinha Queiroz e antigo empresário em nossa cidade, é o amigo do presidente.

Durante nossa prosa pelo telefone, senti-o várias vezes se emocionar ao falar de JK. Disse que o conheceu na casa de uma de suas irmãs antes de ele ser nomeado pelo governador Benedito Valadares prefeito de Belo Horizonte. Como alcaide da capital mineira, fez verdadeira revolução na cidade, tornando-a mais bela artisticamente. O exemplo é a Lagoa da Pampulha, um amplo lago artificial. Às margens dela, encontram-se o Museu de Arte da Pampulha, abrigam obras de arte brasileira, a Capela Curial da Igreja de São Francisco de Assis,inaugurada em 1943, a Casa do Baile, todos projetados por Oscar Niemeyer. A Praça de Iemanjá exibe uma estátua e um portal de metal que homenageia a deusa das águas africana.

No seu interior a Via Crúcis, constituída por 14 painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais significativas. Os jardins são assinados por Burle Marx. 

Alfredo Ceschiatti esculpiu os baixos-relevos em bronze do batistério. A área externa é recoberta de pastilhas de cerâmica em tons de azul claro e branco, formando desenhos abstratos. A igrejinha da Pampulha é um dos mais conhecidos cartões postais de Belo Horizonte.

João Batista participou ativamente da campanha para governador e, depois, para presidente da República.

Em 1964, Juscelino teve seus direitos políticos cassados, se exilou em Paris. O advogado e a mulher foram em viagem à França no mesmo ano. Levaram consigo o endereço e o contato do presidente. O encontro foi marcado. Na hora combinada lá estavam, cheios de emoção, frente ao apartamento. Afinal, tratava-se do amigo e ex-presidente do Brasil. O imóvel era simples, mas decorado com bom gosto. Ao se abraçarem, o homem que fez 50 anos em 5 estava emocionado e triste. A seu lado, dona Sara. O casal Queiroz por mais de uma vez se levantou para ir embora e foi impedido por JK, que dizia serem poucas as visitas de brasileiros à sua casa. A visita terminou às duas da madrugada parisiense.

O mineiro de Patrocínio sentiu e chorou deveras a tragédia envolvendo o ex-mandatário da nação. Também não acredita que sua morte foi um atentado. Segundo ele, a viagem era sigilosa. Haveria encontros, entre outros, com empresários e com uma mulher com quem vivia um tórrido e abrasador romance secreto.

Depois de sua morte, foi encontrado num cofre em seu escritório nas dependências da Editora Bloch, onde Adolpho lhe cedia espaço, várias cartas de amor entre JK e a amante. O ex-presidente de todos os brasileiros era boêmio e muito romântico, permitiu se apaixonar aos 73 anos.

Jocelino Soares, Artista plástico; diretor da Casa de Cultura Dinorath do Valle; membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.