Novo marco do saneamento

ARTIGO

Novo marco do saneamento

Enquanto o Brasil busca caminhos para resolver o saneamento, estamos com essa questão equacionada


Com 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e 100 milhões, quase metade da população, sem serviço de coleta e tratamento de esgoto, não há dúvida de que o novo marco do setor de saneamento básico, que será votado no Senado, na semana que vem, traz um alento ao País. As mazelas da falta de infraestrutura no setor ficaram ainda mais evidentes com a epidemia da Covid-19. Uma das principais recomendações das autoridades sanitárias para evitar contágio pelo vírus SARS-CoV-2 é lavar bem as mãos com água tratada.

Para resolver esse grave problema no Brasil, serão necessários investimentos da ordem de R$ 500 bilhões. A previsão é que com esse investimento a universalização do saneamento básico ocorrerá em 2037, segundo a Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento). Portanto, o País tem um longo caminho a percorrer. O novo marco regulatório já foi aprovado na Câmara dos Deputados, tendo como relator um representante da nossa região, o deputado federal Geninho Zuliani, abre as portas para investimentos privados e internacionais.

Nesse cenário, o Semae (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto) de São José do Rio Preto se destaca por ser uma exceção. Um serviço público com eficiência de primeiro mundo. Ou seja, um exemplo de gestão, de seriedade com os recursos públicos e respeito com a população. Hoje, Rio Preto tem o 4º melhor serviço de saneamento do País, atestado pelo Instituto Trata Brasil e uma das menores tarifas. Atingimos praticamente a universalização do abastecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, com 98% de cobertura. Os 2% que faltam encontram-se na área rural e em bairros não regularizados.

A nossa perda de água de 25%, entre físicas e comerciais, está bem abaixo da média nacional de 39%, próxima do índice de países desenvolvidos. Temos um rígido programa permanente de combate às perdas, investindo em melhorias nas redes de distribuição, modernização do sistema e na fiscalização para impedir as fraudes.

Somos uma autarquia superavitária, com R$ 140 milhões investimentos. Reformamos e ampliamos a ETA - Estação de Tratamento de Água, que se encontra em fase de pré-operação. Estamos perfurando novos poços nos aquíferos Guarani e Bauru, ampliando a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), construindo novos emissários e adutoras. Paralelamente, estamos nos preparando para garantir água para as futuras gerações, desenvolvendo um projeto de captação de água no rio Grande.

Enquanto o Brasil busca caminhos para resolver a questão do saneamento, com o novo marco regulatório, Rio Preto está com essa questão equacionada. Graças à visão do prefeito Edinho Araújo, que em 2001 criou o Semae e dá apoio total a atual gestão, somos um modelo para o Brasil. Demonstramos que com capacitação, gestão competente e uma equipe de profissionais comprometida é possível solucionar o problema do saneamento básico.

O reflexo dessa iniciativa pode ser sentido em outras áreas da administração municipal. Temos menos gastos com a saúde pública e maior frequência nas escolas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 1 real investido em saneamento básico, economizam-se 4 reais em gastos com o sistema de saúde pública. Rio Preto buscou soluções e compreendeu a importância do saneamento como política de saúde. A cidade e seus moradores colhem o resultado positivo dessa política.

Nicanor Batista Jr., Superintendente do Semae; Rio Preto.