Já passou da hora...

ARTIGO

Já passou da hora...

Reclamar é do homem. Motivos não faltam, é verdade. Mas só reclamarmos adianta?


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Ah, como já passou da hora de pararmos de reclamar, jogar a culpa nos outros, criar teorias da conspiração, de nos vitimizarmos. Já passou da hora... de agirmos. Reclamar, sem agir, remete ao poeta inglês Willian Blake: "Quem deseja, mas não age, semeia a peste". Fazer com que as insatisfações pessoais sejam o aço estrutural de nossas mudanças é um desafio para o homem que anseia algo de novo. Neste "mundo novo".

Reclamar é do homem. Motivos não faltam, é verdade. Mas só reclamarmos adianta? Ficamos insatisfeitos com: o Governo Municipal, Estadual ou Federal, que não arca com suas responsabilidades sociais a contento; o caos tributário, fazendo com que trabalhemos (empresários e funcionários) mais de 140 dias por ano para apenas pagarmos impostos; o emprego, pois somos desvalorizados, trabalhando mais do que vale o salário; o nosso negócio, aonde os funcionários não são comprometidos, a concorrência é desleal e os lucros são baixos, por causa inclusive dos impostos; o casamento, aonde não somos tratados pelo cônjuge como gostaríamos; a falta de tempo, que não deixa que cuidemos mais de nossa saúde física e mental, com uma rotina de exercícios, alimentação balanceada e lazer estimulante.

Reclamar já é um indício de que queremos algo diferente. Mas quando ficamos nesta de só falar e nada fazer, passamos a ser arautos das desgraças. Porém, incapazes de contribuir para a melhoria das coisas. Pessimistas e acomodados ou entusiastas e ativos. A escolha é prerrogativa nossa. Agir, então, é o caminho, depois de tanto reclamar.

As insatisfações com o governo, trânsito, atividade profissional, casamento ou falta de tempo deveriam servir de molas-propulsoras, incentivando-nos a sermos e agirmos diferentes frente a estas situações.

Há duas maneiras de viver qualquer situação que nos deixe insatisfeitos: ou reclamamos e sentamos em nossa acomodação, esperando que tudo se resolva em um passe de mágica, que alguém tome uma atitude por nós, ou ainda, que Deus - sempre Ele... - resolva o que nos compete. E bem provavelmente tenderemos a não ver nada se modificar; ou procuramos tirar uma lição do que nos incomoda e agirmos para mudar. Isto é evolução!

Chega uma hora que temos que parar de apenas protestar e agir. Tomar atitude.

De políticos incompetentes, corporativistas ou corruptos nos livraremos votando melhor. Mas para isso, temos que conhecer em quem votamos e não ir no oba-oba. Na profissão, se não somos valorizados, buscar oportunidades que nos valorizem. Nos negócios, se o lucro é pequeno e a mão de obra é ruim, hora de repensar as estratégias e assimilar novas ideias administrativas e comerciais, saindo da mesmice. Se o casamento incomoda, rever a convivência com postura mais participativa, aumentando o diálogo, dando e esperando mais respeito e cumplicidade. E se falta tempo pra nós mesmos, é conveniente rever prioridades. Gastar o que de mais precioso temos, nosso tempo, com o que realmente valha à pena. Agindo, podemos ter melhores políticos nos governando; resultados positivos em nossa profissão; convivência feliz com quem dividimos o mesmo teto; e ainda encontraremos tempo suficiente para cuidarmos de nós mesmos.

Nossos pensamentos sobre o que nos incomoda podem tornar-se ações, que com o tempo serão hábitos em nossa existência e consequentemente contribuirão para que façamos o que nos compete para melhorar. Já passou da hora... de progredirmos.

Carlos Alex Fett, Consultor empresarial ([email protected]); Rio Preto.