ARTIGO

Difícil equação

Está mais do que na hora de o município adotar plano que contemple a abertura gradual de novas atividades


Enfrentamos desde meados de março o maior desafio que Rio Preto já enfrentou, que foi se preparar para a pandemia de Covid-19 (novo coronavírus). Desde a decretação do primeiro decreto de emergência no município, coincidentemente no dia do nosso aniversário, 19 de março, Rio Preto cumpriu exemplarmente o dever de casa: isolamento social, restrição de funcionamento de atividades econômicas, estruturação da rede de saúde e testagem em massa.

Passados quase dois meses de rigoroso controle social e econômico, com objetivo de preservar vidas e evitar o colapso no sistema de saúde, creio que chegou a hora de começar a pensar em alternativas para evitar outro colapso: o econômico, com desastrosas consequências, como o desemprego e falência de empresas - principalmente os micro e pequenos negócios, os grandes gerados de trabalho e mola propulsora da nossa economia.

Sabemos que Rio Preto é diferente. Temos um sistema de saúde de primeiro mundo, com profissionais altamente capacitados e competentes. Mas temos também do outro lado centenas, milhares de empresários e comerciantes que já deram sua contribuição e não aguentam mais essa angústia de saber se vão conseguir arcar com a próxima folha de pagamento ou sequer se vão conseguir manter seus negócios abertos, gerando renda, pagando impostos e, principalmente, empregando pessoas.

Sei que é uma equação difícil, uma escolha quase salomônica: de um lado, a saúde; do outro, a economia. Por isso, precisamos ter serenidade e, uma vez feito o dever de casa, com achatamento da curva, estruturação da rede de saúde, e, principalmente, baixa ocupação de leitos, é hora de olharmos para os empresários, os trabalhadores e a economia.

Está mais do que na hora de o município adotar um plano que contemple a abertura gradual de novas atividades econômicas, sempre dentro das regras impostas pelas autoridades sanitárias, como uso obrigatório de máscara, higienização e distanciamento social. Uma alternativa pode até ser a abertura de determinados estabelecimentos em esquema de rodízio, em horários alternados. Enfim, precisamos de uma solução para evitar que a dose do remédio seja tão forte que mate o paciente.

Afinal, não é justo que supermercados, farmácias, lotéricas e afins possam funcionar, aglomerem pessoas e sigam sua vida, enquanto pequenas lojas, pequenos estabelecimentos, pequenos empresários tenham de amargar a dor de não poder trabalhar. Que tenhamos a serenidade e a sabedoria de fazer o melhor para nossa Rio Preto.

Paulo Pauléra, Presidente da Câmara de Rio Preto.