HIPÓLITO MARTINS FILHO

Dólar, risco país e outros

O Brasil certamente não terá uma melhoria em sua nota de classificação de risco dado pelas agências de rating e poderá até cair em 2021


-

As coisas vão se complicando conforme era esperado. Agora, mais do que nunca, sabemos que primeiro vai piorar bastante para depois a luz dar os primeiros sinais. São tempos difíceis e carrancudos e que pertencem à natureza da vida.

Alguns indicadores que refletem a temperatura da economia se manifestam negativamente. É preciso analisá-los e tratá-los com seriedade se não quisermos que cheguem às artérias da economia e aí dificilmente escaparemos da UTI.

O Brasil certamente não terá uma melhoria em sua nota de classificação de risco dado pelas agências de rating e poderá até cair em 2021. A degradação da economia e a crise política tiram ou diminuem a capacidade do governo em ajustar as contas públicas e impor a agenda de reformas depois da pandemia.

O Brasil conquistou pela primeira vez o grau de investimento dado pela agências de rating em 2008. Sete anos depois perdeu o selo de bom pagador com a crise política e o início da recessão. Recentemente, a agência Fitch revisou para "negativa" a perspectiva para a nota de crédito soberano do País, pela "deterioração das perspectivas econômicas e fiscais e os riscos negativos de renovada incerteza política, incluindo tensões entre o executivo e o congresso, e dúvidas sobre a duração da pandemia", a Fitch manteve a classificação do Brasil em "BB-" .

A S&P também atribui ao País a nota "BB-", e a Moody´s o classifica em "Ba2"-- todas as notas abaixo do grau de investimento. A nota de risco tem um papel importante no cenário econômico, pois quando estável ou em alta, facilita a entrada de investimentos no País, o contrário afeta os re cursos externos que poderiam ajudar na recuperação econômica do Brasil.

Acredito que o PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 deverá cair pelo menos 7% em relação ao ano passado, e no ano que vem vai depender de vários fatores, principalmente, se o governo voltar às reformas, fundamentalmente a da consolidação fiscal. Outro fator preocupante é a alta do dólar, variável extremamente sensível que vem valorizando perigosamente.

O Real é a moeda que mais se desvalorizou ante o dólar entre os países emergentes. Desde o começo do ano o Real já perdeu 47% do seu valor. E como em economia tudo está interconectado, os juros reais podem ser tornar negativos e aí ficaremos mais distantes dos grandes investidores.

Outra percepção ruim do risco que o Brasil começa a apresentar é o comportamento de outro indicador que mede a possibilidade de calote da nossa dívida externa. O Credit Default Swap (CDS), que só neste ano subiu 255%. O pessimismo começa a tomar conta dos investidores externos, isso não é só aqui. Mas por aqui a questão política continua sendo uma barreira difícil de se transpor. Mas está chegando a hora de fazermos a escolha.