ARTIGO

Querendo ser tudo

Quem tem o mínimo de lucidez não demora a constatar que são, na realidade, falsos profetas


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De repente algumas pessoas, sem qualquer formação, estão querendo dar palpites em tudo. Sem formação na área pedagógica, estão querendo ser professores para tentar ensinar e dar lições de moral. Outros se transformam em médicos ou especialistas em Saúde e passam a diagnosticar doenças, sugestionando curas ou questionando formas de prevenção e tratamento.

Sem estudar Direito passam a advogar fervorosamente em defesa intransigente dos políticos pelos quais nutrem fanatismo imensurável de admiração. Ou agem como promotores ardilosos para denunciar fatos que, na maioria das vezes, desconhecem ou ficaram sabendo por fake-News. Outros se imaginam como algozes investigadores ou como engenheiros que pensam que acabaram de inventar a roda.

E pior ainda são aqueles que, além de acusarem, julgam e condenam, sem direito a nenhum recurso, como se fossem juízes supremos de tudo e de todos que têm opiniões divergentes. Querem ser historiadores sem qualquer sentido de história real.

E sem falar naqueles que se apresentam como líderes religiosos e misturam teorias abstratas com a lógica de um mundo real e, não raras vezes, cruel.

Outros posam de profetas ou iluminados que dizem possuir a vidência de tudo que vai acontecer no mundo. Quem tem o mínimo de lucidez, porém, não demora a constatar que esses são, na realidade, falsos profetas e vivem no mundo da obscuridade, quando não da pura intolerância de dogmas, que os cegam e os impedem de ver no outro um semelhante, com todos vícios e virtudes comuns ao ser humano.

E parece que virou moda blogueiros, youtubers, internautas que criam página no Face ou em outras redes sociais, se acharem exímios jornalistas, quando mal sabem as comezinhas regras das conjugações verbais e nominais.

A imprensa, que alguns, na condição de donos da verdade, criticam a esmo, historicamente sempre manteve - e ainda mantém -, papel fundamental na história do Brasil, quer seja na divulgação dos fatos, das denúncias bem apuradas que já derrubaram governos e levaram inúmeros corruptos à cadeia.

Muitos poderosos se aproximaram da imprensa com o toma-lá-da-cá. Pode ser que, isoladamente, um ou outro veículo e jornalista tenham cedido ao canto da sereia (para dizer o mínimo). Outros compraram ou fundaram seus próprios veículos de comunicação.

Podem achar que uma imprensa totalmente livre é ruim, pois comete exageros e instiga. Porém onde não há imprensa livre, o funcionamento das instituições, sob qualquer perspectiva, é muito pior.

A Imprensa livre faz parte do sistema democrático. E a pior democracia é sempre preferível à melhor ditadura. O sonho dos poderosos de plantão é sempre transformar os órgãos de imprensa em veículos de propaganda e jornalistas, em bajuladores.

Nelson Gonçalves, Jornalista em Rio Preto.