ARTIGO

Autonomia de prefeitos

Rio Preto encontra-se em boas condições sanitárias para resistir a essa fatal virose


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O adiamento da quarentena para 31 de maio não está sendo bem aceito pela população brasileira, segundo Vox Populis, principalmente no interior do Estado de São Paulo. Há uma forte corrente entre vários prefeitos que deveriam ter plena autonomia de decisões de ações para abertura gradual do comércio e não ficar sempre na dependência das ordens do governador, podendo ser surpreendido com muitas passeatas e carreatas da própria população.

É sabido que em toda a virulência, mesmo sob forma de pandemia, essa tese de autonomia para os prefeitos tem a sua razão de ser, levando em consideração que são os reais zeladores de suas comunidades, da saúde pública e do comércio em geral que sustentam os cofres públicos municipais.

A causa do adiamento, de notório saber, é a diminuição da taxa de isolamento social com o aumento de contaminados e número de mortes pelo coronavírus. Entretanto, esse desequilíbrio sanitário precisa ser melhor avaliado diante de tantas peculiaridades locais e assim procurar fazer um levantamento exato das estatísticas, mormente em nosso estado, pois as cifras referidas são da própria cidade de São Paulo, campeã de falta de saneamento básico.

Basta lembrar que o rio Tietê, dentro da capital, é o retrato fiel da maior poluição de esgoto a céu aberto, sem se esquecer das constantes enchentes torrenciais, nestes últimos meses, cuja somatória representa o habitat ideal para multiplicação de qualquer virose, notadamente a do coronavírus, provocando assim o aumento de contaminados e de mortes.

Se considerarmos estritamente em Rio Preto, onde os aneamento básico já existe há muito tempo, inclusive com excelente tratamento de água e esgoto de alto nível estrutural, poder-se-á chegar à conclusão que a nossa cidade está realmente se defendendo bem deste agressor invisível, bastando observar os pequenos índices de contaminação e de óbitos, atingindo mais idosos com patologias crônicas de cardiopatias, pneumopatias e diabéticos. Por outro lado não se pode esquecer da eficaz assistência médica desenvolvida nos hospitais de Base e Santa Casa, pois aqui o vírus desta pandemia poderá até ficar no ar, porém não há condições de se multiplicar.

Partindo dessa premissa, percebe-se que Rio Preto, cidade com mais de 450 mil habitantes encontra-se em boas condições sanitárias para resistir a essa fatal virose e assim poderá ter perfeitamente condições para abrir gradualmente o seu comércio sem, todavia, desobedecer as prerrogativas recomendadas pelas autoridades sanitárias do Estado. Acredita-se também que a sensatez e espírito administrativo do nosso prefeito, imbuído de boa vontade e coragem, possa se comportar como o maior responsável de nossa administração pública, pois está sempre amparado pelas normas legais administrativas municipais. Quem viver, verá!

Nelson Nagib Gabriel, Médico e advogado; Rio Preto.