ARTIGO

2020 não começou e já acabou

O PIB pátrio e mundial deverão ser bastante negativos. A presença estatal na economia será intensa


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Tinha visto filme alarmante sobre doença contagiosa. Acho que foram alguns filmes para dizer a verdade. Todos classificados como ficção.

O último ano da década mal começou e podemos afirmar que já finalizou. Óbvio que resta mais da metade dos dias. Mas ninguém em sã consciência pode dizer que os dias remanescentes serão de normalidade. Aliás, muitos asseguram que o normal do porvir será mui distinto dos tempos idos.

Pesquisadores de Harvard propugnam que o distanciamento social pode ser estendido até 2022. Assim, certamente, viveremos incertezas nos relacionamentos pessoais, nos ambientes de trabalho e na vida como um todo.

Com a pandemia mundial declarada pela OMS em 11 de março de 2020, tudo, a partir deste marco, alterou-se profunda e rapidamente. Teve carnaval em fevereiro, mas não teve páscoa em abril! Teve ano novo, mas não haverá festa junina, ouso a afirmar. Em outro artigo já afirmei que não haverá eleição em outubro, talvez dezembro (a confirmar).

O que consigo antever é que pós pandemia haverá novo normal! Os novos hábitos adquiridos na crise sanitária nos perseguirão. Os cumprimentos continuarão distantes, os beijos quase inexistentes. As mãos limpas inúmeras vezes ao dia, as máscaras e demais EPIs, tudo isso serão rituais cotidianos e socialmente obrigatórios.

Diversas áreas econômicas serão drasticamente afetadas. Atividades que reuniam multidões serão impactadas fortemente. Em curto espaço de tempo, por exemplo, os parques aquáticos de Olímpia, jamais terá o mesmo número habitual de frequentadores. O mesmo raciocínio vale para comércios populares, bares, shows, eventos esportivos. Até os Shoppings terão número reduzido de frequentador.

O segmento do trabalho também sofrerá bastante. Com a crise, inúmeras empresas foram obrigadas a intensificar utilização de mecanismos eletrônicos em vendas e entregas de produtos. Com isso, certamente, haverá uma diminuição do número de empregos físicos. O desemprego será maior.

O PIB pátrio e mundial deverão ser bastante negativos. A presença estatal na economia será intensa e obrigatória. Haverá nacionalização de empresas de diversos setores, as aéreas muito provavelmente. Aquela frase " Estado Mínimo" não será ouvida por um bom tempo.

Enfim, o novo normal será muito diferente da normalidade anterior a pandemia. A atividade corriqueira mais simples, como uma caminhada, deverá estar cercada de equipamentos de proteção (máscara, luva, álcool em gel) e obedecer padrão de distanciamento social.

O novo normal mudará conceitos, formas e estruturas. Como dizia Aristóteles: o homem é animal que vive em sociedade. Como animal político, certamente, irá se adaptar a situação e criar novos modelos a serem seguidos.

Ailton Angelo Bertoni, Advogado; Rio Preto.