ARTIGO

Estratégia de investimentos

Crises aceleram a decisão de grandes empresas na busca de soluções inovadoras para manter a performance


Diferente de um departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), muitas empresas aderem ao Corporate Venture Capital (CVC), que é uma estratégia de investimentos que grandes e médias empresas adotam para comprar pequenas - às vezes não tão pequenas - empresas inovadoras, startups ou adquirir inovação de alguma forma externa.

As grandes e médias empresas, as quais chamaremos aqui de "empresas-mães", criam divisões, com time específico, orçamento e outros componentes ligados às empresas para fazer investimentos sistemáticos em participações minoritárias em startups inovadoras ou até mesmo aquisições totais destas empresas.

A título de exemplo, a Apple, empresa americana de tecnologia, com estimados 267,7 bilhões de dólares de receita anual, investiu, de 2019 para cá, em 12 empresas diversas, sendo um exemplo de aquisição deste ano de 2020 a "Xnora.AI".

No Brasil, empresas como Magazine Luiza, TOTVS, Embraer, Algar, Raízen, dentre outras, têm programas estruturados para o fomento de startups que tenham sinergia com os modelos de negócio ou desafios das empresas.

Por um lado, as empresas podem fazer investimentos no CVC com a intenção de "corrigir os pontos fracos", ou seja, os CVC's são usados por empresas com inovação interna deteriorada para se expor a novas tecnologias e recuperar sua vantagem competitiva de inovação, adquirindo práticas e informações que fortalecem a inovação interna, criando um legado de ativos e capital intelectual para a empresa-mãe.

Por outro lado, as empresas podem também fazer investimentos via CVC para "desenvolver pontos fortes", ou seja, empresas identificam startups inovadoras e essas novas tecnologias complementam a inovação interna, fortalecendo seu poder de mercado.

Para não "covidizar" o tema, de forma geral, as crises aceleram essa decisão de grandes empresas na busca de soluções inovadoras para manter a performance ou por sobrevivência. Uma questão pode vir à tona: "Como minha pequena empresa de tecnologia pode buscar estes recursos das grandes empresas?"

Os principais investimentos são feitos em empresas que inovam nas classes tecnológicas enfraquecidas das empresas-mãe. Para extrair essa informação, as pequenas empresas que buscam esse capital das grandes corporações, podem, por exemplo, fazer uma comparação detalhada entre os portfólios de patentes das empresas-mãe e das soluções que a startup pode oferecer para gerar valor ao investimento em áreas onde a empresa-mãe está obsoleta.

As empresas precisam ainda se preparar para a chamada Integração Pós-Fusão e Aquisição ("Post-Merger Integration" ou "PMI"). Isto porque cultura empresarial, valores e diretrizes de negócio podem gerar um risco abissal para empresa-mãe e empresa investida. Problemas de confidencialidade de informações, concorrência, aliciamento e até mesmo o estrangulamento ou limitação mortal da startup investida, são alguns poucos exemplos.

Assim, uma abordagem de tópicos de post-merger integration na fase de design jurídico e societário das operações, são primordiais para o sucesso da relação de investimento da grande empresa em pequenas empresas de tecnologia.

Pode-se afirmar, portanto, que os fundos de Corporate Venture Capital podem ser essenciais, se corretamente utilizados, para responderem a choques negativos de inovação, corrigir suas fraquezas e recuperar performance, bem como, no apoio às pequenas empresas que sofrem para sobreviver em tempos de crise.

Rafael Gonçalves de Albuquerque, Sócio da M.A. Capital Family Office e advogado sócio do FCM Law.