RANKING MUNDIAL DO CORONAVÍRUS

Brasil é o 2º em casos confirmados

De quinta para sexta-feira foram registradas mais 1.001 mortes


Puxado pelo Brasil, América Latina é o novo epicentro da pandemia de coronavírus, segundo a OMS
Puxado pelo Brasil, América Latina é o novo epicentro da pandemia de coronavírus, segundo a OMS - Divulgação/Agência Brasil

O Brasil registrou 1.001 novas mortes causadas pela covid-19 em 24 horas, elevando o total de óbitos pela doença para 21.048, segundo o Ministério da Saúde. De quinta-feira, 21, para sexta, 22, houve registro de 20.803 novos casos de infecção pelo novo coronavírus e agora são 330.890 pessoas contaminadas.

Nas duas últimas semanas, em números absolutos, o Brasil saltou da sétima para a segunda posição entre as nações com mais casos de covid-19. Com isso, se mantém como um dos países em situação mais crítica do mundo em número de infecções, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 1,5 milhão, segundo a plataforma Universidade Johns Hopkins, nesta sexta-feira, às 19h.

Na lista de países com mais mortes acumuladas, o Brasil ocupa a 6ª posição. Só fica atrás de Estados Unidos (95.533), Reino Unido (36.475), Itália (32.616),Espanha (28.618) e França (28.218).

O maior número de infecções continua em São Paulo, com 76.871 diagnósticos e 5.773 mortes. O Ceará tem 34.573 infecções e 2.251 mortes. No Rio são 33.589 casos e 3.657 óbitos.

Letalidade no Rio

O município do Rio de Janeiro tem uma taxa de mortalidade por Covid-19 de 12,7%, quase o dobro da média nacional, de 6,5%, segundo dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em informações passadas pelo Ministério da Saúde.

Na capital fluminense, os dados atualizados pelo IBGE às 9h10 desta sexta contabilizavam 18.743 casos confirmados de Covid e 2.376 mortos.

No município de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, a situação era ainda pior, com uma taxa de letalidade de 14,3%. Embora menos populoso, o município tinha 1.171 casos confirmados e 167 óbitos pela doença.

Situação preocupante reforçada pelos pesquisadores da Coppe/UFRJ, que estimam que o pico da epidemia no Rio será no início de junho e recomendam lockdown no estado para evitar um colapso total do sistema de saúde.

De acordo com os pesquisadores, o número de infectados no estado poderá chegar a 40 mil no pico da pandemia, prevista para a primeira quinzena de junho.

Em Belém, no Pará, os dados mostravam 7.675 casos da doença confirmados e 952 mortos, uma taxa de letalidade de 12,4%, também quase duas vezes a média nacional.

Em São Paulo, a capital tinha 41.451 casos de covid-19 confirmados e 3.238 mortos pela doença, com uma taxa de mortalidade de 7,8%. Em Manaus, onde houve colapso do sistema de saúde e funerário, foram registrados 12.317 casos e 1.094 mortes, com taxa de letalidade de 8,9%.

Puxada pelo crescimento nos casos no Brasil, na Argentina, no México e no Peru, a pandemia do novo coronavírus avança na região da América Latina com quase 640 mil casos e mais de 35 mil mortes. O avanço na região ocorre à medida em que países da Europa promovem reabertura gradualmente e a China já prevê uma vitória sobre o vírus.

Nesta sexta-feira, 22, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a América do Sul se tornou "o epicentro da doença". "Vimos muitos países sul-americanos com aumento do número de casos, e claramente há preocupação em muitos desses países, mas certamente o mais afetado é o Brasil", disse Michael Ryan, diretor do programa de emergências da entidade.

O número de casos no mundo dobrou em um mês, com uma forte aceleração na América Latina e no Caribe. A pandemia deixará 11,5 milhões de novos desempregados em 2020 na região, o que elevará o total para 37,7 milhões de pessoas, de acordo com um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A Cepal tem alertado ainda para a desigualdade na região, que é a maior do planeta, e crescerá com a pandemia. A contração econômica na América Latina será de 5,3% este ano - a pior registrada desde 1930 - e terá efeitos na taxa de desemprego, que passará de 8,1% em 2019 para 11,5% em 2020, de acordo com o relatório.

O Brasil, um dos países em que a pandemia cresce mais rapidamente, ultrapassou 20 mil mortes por coronavírus na quinta, 21, depois de atingir um registro diário de 1.188. mortes.

O País é o terceiro país em número de afetados, com 310.087 casos, atrás dos Estados Unidos e da Rússia. O número de infecções pode ser, no entanto, até 15 vezes maior, devido à dificuldade de se obter estatísticas precisas devido à falta de testes, segundo analistas.

A crise ocorre em um contexto de forte confusão política devido a divergências entre a maioria dos governadores, a favor de medidas de confinamento, e o presidente Jair Bolsonaro, que critica o impacto econômico provocado pelo distanciamento social. (AE)