MORTOS PELA COVID PASSAM DE 13 MIL

Brasil supera França em número de infectados


Profissionais da saúde divulgam carta em que pedem o fim das fake news sobre o coronavírus
Profissionais da saúde divulgam carta em que pedem o fim das fake news sobre o coronavírus - Reprodução/Facebook

O Brasil ultrapassou a França em número de infectados pelo novo coronavírus nesta quarta-feira, 13, e se tornou o 6º país do mundo com mais casos, de acordo com o levantamento feito pela universidade norte-americana Johns Hopkins. Até o início da noite desta quarta, eram contabilizados 188,9 mil casos - sendo 11.385 casos incluídos no balanço em 24 horas, um recorde - , com 13,1 mil mortes (749 em 24 horas), contra 178,1 mil divulgados pelas autoridades francesas e 26,9 mil óbitos. Os EUA continuam liderando o ranking mapeado pela Johns Hopkins University, com mais de 1,3 milhão de casos.

Na terça-feira, 12, o Brasil já tinha ultrapassado a Alemanha e ocupava o 7º lugar entre os países com o maior número de casos de Covid-19. À frente do Brasil no levantamento da Johns Hopkins estão, por ordem decrescente: EUA, Rússia, Reino Unido, Espanha e Itália. No mundo, são 4,3 milhões de ocorrências e 295,5 mil mortes.

Evolução

Epicentro da doença no País, o Estado de São Paulo ultrapassou os 4 mil mortos pela doença. De acordo com balanço divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde nesta quarta-feira, 13, já são 4.118 mortos, 169 novos registrados em 24 horas. Esse número equivale à população de vários pequenos municípios do interior do Estado. É como se toda a população de Anhumas, que tem 4.115 habitantes, tivesse sido vitimada pela doença.

A taxa de ocupação de leitos de UTI na Grande São Paulo é de 87,2%. No Estado, 68,3%. Conforme a Secretaria Estadual da Saúde, 3.702 pacientes estão internados em UTI e 5 950 em enfermarias. Outro dado que preocupa é a taxa de isolamento social, que continua abaixo de 50%. A média no estado em relação a terça-feira foi de 47%, taxa considerada baixa pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Com uma taxa inferior a 55%, o governo já admitiu que terá problemas para atender todos os pacientes. A meta é de 60% e o ideal seria um índice de 70%.

Em entrevista coletiva para anúncio de medidas para conter o avanço da doença, o governador, João Doria, não descartou a possibilidade de lockdown. "Não está descartado o lockdown na capital ou em outras cidades do Estado de São Paulo. Neste momento, não há essa expectativa, mas é uma alternativa que pode ser aplicada se for recomendada pelo setor de saúde."

Profissionais da saúde do Brasil e de outros 16 países juntaram esforços em uma carta que pede atitudes mais severas contra a circulação de informações falsas sobre o novo coronavírus na internet. O documento, divulgado pelo Avaaz, é endereçado aos executivos responsáveis pelas principais redes sociais do mundo.

"Nosso trabalho é salvar vidas. Mas neste momento, além da pandemia da covid-19, enfrentamos também uma infodemia global, com desinformações viralizando nas redes sociais e ameaçando vidas ao redor do mundo", diz um trecho da carta. O documento traz exemplos de desinformação sobre o coronavírus que circulou na internet, como um boato que afirmava que a covid-19 foi desenvolvida como uma arma biológica pela China. Outra mentira que foi compartilhada nas redes sociais dizia que a cocaína era uma cura para a doença.

As informações falsas sobre a Covid-19 que circulam no Brasil, especificamente no Twitter, têm forte influência política. É o que explica Raquel Recuero, doutora em Comunicação e Informação e professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ela trabalha em pesquisa sobre a circulação de desinformação sobre o novo coronavírus. "Essas desinformações estão profundamente conectadas com a polarização política que o Brasil passou durante as eleições", fala. "A gente tem um conjunto de autoridades que legitima formas de desinformação, de teorias da conspiração e afins."