Calçadão

Cartas do Leitor

Calçadão


As obras do Calçadão foram iniciadas tão logo recebemos a notícia de que o mundo estaria abalado com o advento de uma pandemia que seria preciso todos utilizarem máscaras, pois apesar do vírus existir desde 1960 esta nova mutação genética era resistente a qualquer remédio. Pois bem, com o comércio de portas cerradas o nosso prefeito iniciou também as obras no calçadão. Até este ponto foi louvável a sua decisão, até foi dito isto ou escrito no Diário da Região. Enquanto outros políticos brigavam, os nossos realizavam obras!

Até este ponto, louvável! Foram meses de transtorno nas ruas centrais: buracos, valas poeirentas, desvios, sujeira pra todo lado e pandemia! Mas muitos concordaram que ficaria muito bom, mas logo no início já se percebia irregularidades bem visíveis como: retirada de árvores frondosas principalmente as belas árvores defronte à sede social do clube Monte Líbano, na rua Siqueira Campos, a retirada dos canteiros descuidados ao lado da Catedral, a retirada das floreiras em toda General Glicério inclusive da grande roseira de rosas vermelhas que nunca parava de oferecer rosas gratuitas, em frente às Lojas Americanas, fora a retirada do petit-pavê, pedras estas que refrescam o clima calorento de nossa Rio Preto!

No entanto, os munícipes e os serviços gerais foram questionados quanto a retirada das árvores e das floreiras mas, como sempre disseram, eles fariam reposições! Então rio-pretenses, ficamos sem árvores, sem bancos pra sentar, sem flores e se cumprirem o que vêm sendo comentado, ficaremos até sem calçadão! Na calada da noite estão decidindo liberar o nosso Calçadão para passagem de carros! Além de ficar muito perigoso para a família que vai as compras será mais poluição, mais barulho e mais estresse! Então, o que me dizem ? Estamos às vésperas das eleições e o calçadão aguarda ansioso pelas urnas. Quem se habilita a não votar ou votar "não" a este calçadão indigesto que ninguém pediu!

Norival Ponté, Rio Preto

Bolsonaro

Apesar de muitos acharem defeitos na administração do atual presidente da República (claro que há, e, muitos), convém lembrar que ele pegou um país arrasado, quase destruído (pior que um pós-guerra) onde houve todo tipo de roubos, assaltos, desvios de verbas públicas, ONGs inoperantes, artistas inexpressivos postando fake news, alta taxa de desemprego, fome, miséria, etc. ainda teve a infelicidade de enfrentar uma pandemia mundial, sem precedente na história. E também tem os inconformados com a derrota nas urnas, fazendo todo tipo de trapaça para atrapalhar o país (torcem a favor da desgraça e do vírus (Rede Globo, Folha de São Paulo, OAB, STF, Congresso, Câmara dos Deputados.

Olhemos a Argentina, a Venezuela, o Peru, o Chile, o Equador, o Reino Unido, a França, a Itália, os EUA, Cuba, a Índia e outros mais, estão todos no mesmo barco à deriva. Afora tudo isso, ele não pode nomear ninguém que não seja do alinhado aos reacionários (está cheio deles por aqui). Aí fica a pergunta: gostariam de estar no lugar dele? Achincalhado, desafiado, ofendido até por uma inexpressiva jogadora de Vôlei de Praia.

Há no atual quadro brasileiro alguém que seja confiável para substituí-lo? Pensemos sem paixão político- partidário. Quem?

Temos de analisar o quadro com muita tristeza, pois, temos amigos e parentes vitimados fazendo parte do alarmante quadro de mortes dessa pandemia.

Vamos buscar paciência, esperança e fé na cura e na vacina contra este terrível flagelo, pois, por enquanto, não há quem saiba cuidar ou gerenciar com segurança essa praga mundial, de onde não se sabe a origem. Deus nos ajude.

Armelindo Pestile, Tanabi

Paradoxo

Oliver Sacks (1933-2015) foi um cientista britânico (neurologista) brilhante que escreveu muitos e excelentes livros. Comecei a ler um deles: "Um Antropólogo em Marte" (subtítulo: 7 casos paradoxais), e o livro leva esse título por causa de uma de suas pacientes (um dos casos relatados no livro), uma mulher autista que não consegue compreender os sentimentos humanos (e sente-se diante deles como "uma antropóloga em Marte"), no entanto se tornou uma especialista de renome internacional em comportamento animal. Tem também o caso do pintor expressionista que sofre um acidente de carro e passa a ver o mundo em preto-e-branco (por causa de uma pancada na cabeça que levou no acidente de carro),ficando, assim, daltônico (as cores sumiram de sua vida).

Para Oliver Sacks existe um paradoxo da doença, que está sobretudo em seu potencial "criativo", visto que a doença (principalmente as neurológicas/psiquiátricas) pode revelar formas de vida e adaptações nunca antes imaginadas, as quais são uma reação ositiva a devastação que a doença nos causa.

"Antropólogo em Marte", além de abordar profundamente a empatia, também rata de casos reais em que pessoas com distúrbios neurológicos transformaram o seu mundo interior, criaram novos mundos, "não apenas a despeito de suas condições, mas por causa delas, e até mesmo com sua ajuda".

Deixo com o próprio Sacks o resumo do que quis transmitir no livro: "histórias de metamorfoses em estados alternativos do ser, outras formas de vida, não menos humanas pelo fato de serem tão diferentes".

Wander Cortezzi, Rio Preto

Padroeira do Brasil

Amanhã louvamos Nossa Senhora Aparecida, o ente mais subversivo do macho-racismo nacional: além de mulher, preta. Como Afrodite, a Vênus, emergiu das águas. É deusa do amor, mãe dos afetos e senhora dos presságios, a tradução morena da Compadecida, no auto de Ariano Suassuna.

Como podem chamá-la "Padroeira"? Eis uma aberração linguística, oh misericordiosa Madroeira do Brasil! Sede paciente com o patriarcalismo encalacrado no país. Concedei juízo aos eleitos para bem gastar nossos impostos. E estendendo nos braços o azul calmo de teu manto, rogai por nós!

Romildo Sant'Anna, Rio Preto