O lobo e a raposa

Cartas do leitor

O lobo e a raposa


Em uma pequena floresta, a raposa desenvolvia um bom trabalho, que consistia em retirar dela os animais que desmatavam e dilapidavam os bens, os costumes, etc. A raposa contava com boa parte da bicharada para realizar seu expurgo. Para tanto, tinha um cargo respeitável, salário excepcional, assessores selecionados para ajudá-la, 'status' de rainha da Inglaterra.

Numa grande floresta, longe da raposa, um lobo conseguiu ser escolhido como chefe da bicharada em todo aquele território. Após a festa da posse, o lobo reuniu seus auxiliares e comunicou sua preocupação com o crescimento do prestígio da raposa. Como pretendia ser reeleito, alertou seus subordinados e, em uma reunião, comunicou que iria convidar a raposa para fazer parte de seu bando. Os presentes se manifestaram, dizendo que a raposa não iria de forma alguma abrir mão de seu cargo, salário, mordomias e prestígio. O Lobo argumentou que a Raposa era vaidosa e todo ser vaidoso é um otário.

O convite foi feito e foi aceito. O lobo prometeu à raposa um cargo no covil das hienas, ou o de seu sucessor. Já na primeira reunião da bicharada, a raposa ficou decepcionada porque só ouviu palavrões e teve cortadas todas as mordomias que tinha anteriormente..Na reunião seguinte,o lobo comunicou em alto e bom som que quem mandava era ele e que havia decidido que o cargo a ser aberto no covil das hienas seria preenchido por um bicho de sua tribo. Dito isso, olhando para a raposa, disse: aqui quem manda sou eu e se alguém não estiver satisfeito, que vá procurar seu grupo.

A raposa saiu chateada, mas lembrou-se da segunda promessa do lobo no comando da bicharada. Para sua surpresa, na reunião seguinte, o lobo afirmou que seria candidato à reeleição e que os bichos do seu comitê deveriam iniciar um trabalho nesse sentido. Olhando para a raposa, assim se expressou o lobo: Falei e disse, quem manda aqui sou eu!

Hoje, a raposa vive no ostracismo, sem emprego, sem mordomias, sem palanque e até sem amigos.

O lobo tem dito que cortou a cabeça de seu ex-principal opositor e que ele tinha razão quando afirmou que toda raposa é vaidosa e todo vaidoso é um otário...

Silvio de Melo, Rio Preto

Fanatismo

"Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" analogia que há tempos é usada para se referir a situação em que o presidente Bolsonaro se colocou. O chefe do executivo construiu sua imagem estereotipando o "machão", "cara que não queria papo" e foi assim que construiu um exército de fanáticos, foi aplaudido ao delírio quando "bravamente" mandou os países europeus enfiarem nos seus próprios vales o dinheiro do Fundo Amazônia, (alguns bilhões de dólares), que os países daquele continente enviavam para o Brasil a título de auxilio para preservação da floresta, porem parafraseando Chaves, Maduro e Fidel Castro preferiu falar em soberania. Como em transe pelos aplausos, xingou a mulher de Macron, desmereceu a ONU, o FMI a OMC, o coronavírus e nossos maiores parceiros comerciais , porém foi leal aos filhos, ao Queiros e seus milicianos. Participou de manifestações antidemocráticas contra o parlamento e o STF, deixando claro que foi o personagem que mais acreditou nas bravatas que falava.

Como só podia ser, os componentes das outras instituições perceberam que "cão que ladra não morde" o que ficou claro, quando Queirós foi preso e os ministros Alexandre de Morais e Celso de Mello resolveram agir, além de os investidores iniciarem a retirada intempestiva de dólares do país, fatos que transformaram o presidente em um homem pequeno, assustado e com medo. Bolsonaro, hoje, fala manso procurando reconciliação, porém se de um lado acalma seus algozes, do outro destrói o mito beligerante que o levou à presidência.

Norberto Carlos Dieguez, Rio Preto

Drogas

Em 1987 a ONU estabeleceu o dia 26 de junho como o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico de Drogas, visando conscientizar a população global sobre a necessidade do combate aos problemas sociais e de saúde consequentes das drogas, bem como planejar ações de prevenção da dependência química. Durante esses 33 anos no Brasil, pouco se fez no contexto geral dos objetivos, com destaque apenas na repressão ao tráfico, com prisões e condenações criminais dos envolvidos e grande quantidade de drogas incineradas. Porém, falta muita coisa para o êxito do que se propõe, considerando o aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e seus agravos, como acidentes e violência, consequentes do consumo abusivo do álcool.

Tal fato me faz recordar de uma lei de 1996, bem elaborada pelos nossos legisladores, que proibia a propaganda de bebidas alcoólicas, mas, com uma ressalva: "consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a 13 graus Gay Lussac.". Isso depois de muitas reuniões com as Cervejarias, que negociaram esse "privilégio" da cerveja, cujo teor alcoólico médio é de 5%. E, com a propaganda atrativa e estimulante, justifica-se o motivo do consumo no Brasil ser o maior do mundo.

Oxalá o dia 26 de junho seja dedicado à reflexão e conscientização de quem faz uso habitual da "geladinha", sabendo que em se tornando dependente do álcool, estará sujeito a doenças do fígado, como esteatose hepática, hepatite e cirrose, alterações cardiovasculares, com risco de infarto e AVC, problemas digestivos, e até casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e câimbras nas pernas.

José Vicente Berenguel, Rio Preto

Uma dentro

Até que enfim Bolsonaro deu uma dentro ao escolher Carlos Alberto Decotelli como ministro da Educação, dando honra ao mérito. Afrodescendente, Oficial de reserva da Marinha, ex-presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), doutor por várias universidades, de perfil conciliatório. Desta vez, nosso presidente pensou no bem do Brasil e não em caprichos pessoais, que causaram tantas desgraças: a demissão do médico Mandetta no início da pandemia, do ex ministro Sergio Moro na luta contra a corrupção, no atraso na substituição de Abraham Weintraub, que tanto ofendeu o STF.

O erro de governantes prejudica muito o povo. Votos de sucesso para o novo ministro!

Salvatore D' Onofrio, Rio Preto