Contorno

Cartas do leitor

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A notícia publicada pelo Diário da Região (edição de 20/6) de que o diretor da Rumo Logística confirmou a execução do contorno ferroviário que levará os trilhos a 10 quilômetros da região central de Rio Preto, de fato será uma grande conquista para o município, com destaque ao bem que propiciará aos moradores próximos à estrada de ferro, os quais vivem o infortúnio das constantes buzinadas dos trens durante a noite e madrugada adentro. Porém, é preciso ainda um pouco mais de paciência, considerando que o início das obras está previsto para 2022 e a conclusão só em 2026, apesar de que o projeto já tenha sido aprovado pelo Dnitt faz quase quatro anos, segundo informação no site da Alesp, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Aguardemos, pois, essa tão sonhada obra do contorno ferroviário, que certamente terá acompanhamento das autoridades locais em todas as etapas do projeto, bem como a cobertura da imprensa, principalmente do Diário da Região, que tem desempenhado seu trabalho de publicidade sempre voltado aos interesses da população. Quem sabe um dia se possa afirmar, com plena razão, que Rio Preto é uma das melhores cidades para se viver. Sem as incessantes buzinadas de trens.

Jose Vicente Berenguel, Rio Preto

Fanatismo

Uma forma paranoica, com base religiosa ou política, como algumas pessoas agem, pode ser identificada como fanatismo. Há aí marcas psicológicas excessivas, irracionais e persistentes, como apaixonada adesão a uma causa, que pode chegar até ao delírio. Está muito claro que nessas atitudes extremas existe demonstração de desequilíbrios e situações preocupantes para a ordem social. Na Igreja é celebrada a Festa de São Pedro e São Paulo. Pedro era um pescador, homem simples e trabalhador, mas Paulo era um religioso fanático, defensor da tradição dos antigos e, louco para assassinar os seguidores de Jesus Cristo. Para ele a doutrina cristã era uma afronta aos princípios do Império. Nele entendemos que o fanatismo provoca a morte e nunca ajuda na ordem pública.

O Brasil está passando por alguns fanatismos perigosos, deixando a população inconformada, cheia de interrogações e com o perigo de explosão incontrolável. Já basta a situação da Covid-19, o transtorno causado e a insegurança da grande maioria das pessoas. A perda de controle das instituições governamentais, dos poderes da República, está colocando em risco a democracia e todo o país.

O apóstolo Paulo, de uma postura totalmente fanática contra os cristãos, transformou-se em um dos grandes defensores da doutrina cristã. Ele passou por um processo exigente de conversão e conseguiu entender que a realidade da vida era outra. Esse processo não lhe foi fácil porque exigiu dele grandes renúncias para fazer uma aventura de amor e de seguimento de Jesus Cristo.

Infelizmente, ou felizmente, o mundo passa por uma grande reviravolta no seu itinerário. É quase impossível acreditar num futuro promissor com tanta degradação da natureza. O pior é saber que o tipo de desenvolvimento se torna ameaçador, porque não coloca como alvo principal a dignidade da pessoa humana. Há até quem usa da morte de pessoas para aumentar sua capacidade econômica.

Qualquer instituição humana, para ter estabilidade, depende de bases bem construídas e sólidas. Pedro e Paulo são referências fundantes da Igreja, e nela as pessoas podem e fazem a experiência profunda de Deus, seguindo as orientações que veem de sua Palavra. A Carta Constitucional brasileira é a base da democracia. Ela deve ser respeitada para dar condição de ordem e progresso proclamados.

Dom Paulo Mendes Peixoto - arcebispo de Uberaba-MG e ex-bispo de Rio Preto

Novo normal

Sentado num banquinho de madeira, no fundo do quintal do meu sítio, o cenário é de tirar o fôlego. Uma exuberante natureza em suas várias formas e tons. Os ipês roxos são os protagonistas nessa época. À espera do por do sol, olho para o céu e vejo as nuvens se movimentando lentamente. Ligo para minha mãe, que demora a atender. Finalmente ela atende e diz: "Oi, está tudo bem? Por favor, me ligue depois. Agora estou fazendo as unhas". Nesse período de isolamento, muitas coisas estão mudando. É o tal "novo normal" já tão conhecido, mas uma coisa me chama a atenção: será que as gerações mais velhas terão tempo (e interesse) em se inovar? Por exemplo: a internet ainda é um futuro muito distante para minha mãe que continua fazendo as unhas em casa. Seria porque os salões de beleza estão fechados? Ou seria o medo de faltar recursos financeiros? Claro que não. Seus hábitos e costumes já estão enraizados.

Ares, meu cachorro inseparável, começa a latir me fitando como querendo dizer: "é hora de adentrar para a casa." Nem notei que já estava escurecendo. Então, pego o meu banquinho e, caminhando em direção à casa, me lembro da máxima de Charles Darwin: "Não é o mais forte quem sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta as mudanças". Fato.

Rogério Roversi Marins, Rio Preto

Pandemia

Entendo como comum, normal, em tempos de pandemia, sentirmos medo, angústia, ansiedade, ficarmos meio deprimidos. Até porque não sabemos quando a Covid-19 irá passar. Comum também as pessoas prejulgarem ou colocarem rótulos em outras pessoas por supostas patologias nelas existentes. Sobretudo porque o funcionamento da mente e sua influência nas emoções são, até hoje, um mistério indecifrável. Sigmund Freud (1856-1939) tem um enunciado que faz um questionamento, a meu ver, dos dois acontecimentos acima narrados:

"Não existe ninguém tão grande para quem seja uma desonra estar sujeito às leis que regem com igual rigor a atividade normal e a atividade patológica".

Wander Cortezzi, Rio Preto