Cartas do leitor

Esquentando


Para quem acha que a política acontece apenas no período eleitoral quando os candidatos buscam seus votos, engana-se e muito. Na verdade, já começou faz tempo, se é que um dia parou; todavia chegou o momento em que os partidos e pretensos candidatos buscam suas filiações ou mudanças de filiação e como num jogo de xadrez, procuram analisar em qual partido terá mais chances de conquistar uma vaga. Haja visto, na matemática da política não necessariamente quem tem mais votos é quem ganha a eleição. Há uma série de regras e critérios eleitorais que transformam a política em um verdadeiro jogo de estratégia. Neste jogo é preciso analisar a força eleitoral do partido e dos demais pré-candidatos que dele fazem parte.

Portanto, nos bastidores, a vida política anda fervendo. O tempo de filiação e mudança de partido já passou. Agora, dos nomes existentes em cada partido busca-se ver quem serão os candidatos, dentro dos limites estabelecidos pela Lei Eleitoral.

Neste arranjo interno de cada partido, para o Poder Legislativo terão aqueles com chances reais de vitória, os considerados puxadores de votos, mas que são poucos em cada sigla e os demais, que são a maioria dos candidatos, mas que servem quase que apenas, salvo raras exceções, para completar o coeficiente eleitoral da legenda e automaticamente assegurar um ou mais vagas para o partido.

Já os pretensos candidatos a prefeito, buscam compor suas chapas "escolhendo" os nomes que farão parte do seu grupo político. Nesta escolha entra o nome do vice e dos partidos que o apoiarão, mas sempre dentro daquela perspectiva, em caso de vitória, de fazer parte da administração pública ocupando os mais diversos cargos.

Por isso vemos acontecer em vários locais a união de grupos e pessoas com pensamentos e objetivos, em relação à forma de fazer política totalmente diferente se unirem para ganhar a eleição, bem ao estilo "custe o que custar", mas depois não consegue governar. Pois na distribuição da "cota de apoio", que são as secretarias e demais cargos que oferecem poder, as desavenças aparecem e o governo simplesmente não governa; pois é nítido na nossa cultura política o desprezo pela condição técnica de quem ocupa os cargos estratégicos. Geralmente são preenchidos dentro da perspectiva do interesse de cunho politiqueiro, que na verdade é a forma de pagamento pelo apoio anteriormente oferecido. E assim, a vida e o jogo político vão se construindo.

Mas uma coisa é certa, já é perceptível que o jogo político vai ganhando força e daqui a alguns dias começa, oficialmente, a busca pelo voto. Mas enquanto esse dia não chega, nos bastidores as coisas não param e esquentam cada vez mais.

Walber Gonçalves de Souza, Caratinga-MG

Educação

Nessa pandemia já vi leitores elogiando, merecidamente, o trabalho dos heróis da área da saúde, mas quero aproveitar para também enaltecer o trabalho de outros heróis: os professores, que, de um dia para outro, com muito esforço e paciência tiveram que se adaptar ao uso da tecnologia para darem aulas remotas.

Durante esse período de quarentena, trabalhando em home office, tive a oportunidade de acompanhar, apenas de ouvido, algumas aulas remotas dos meus filhos e fico imaginando como os professores podem manter a motivação dos alunos com disciplinas sem nenhum impacto no dia-a-dia ou no futuro desses jovens. História do Egito, seno/cosseno, composição das rochas, entre outros assuntos, mostram como o ensino no Brasil não está alinhado com as necessidades do mercado de trabalho.

Infelizmente, os colégios preparam os alunos apenas para prestarem o Enem e os vestibulares quando já deveriam estar introduzindo disciplinas mais atuais, motivadoras e profissionalizante como por ex: empreendedorismo, planejamento estratégico, negociação, vendas, compras, informática, idiomas, matemática financeira, marketing, economia, relacionamento humano, trabalho em equipe, entre outros.

Assim penso que o aluno que terminasse o ensino médio já teria condições de adentrar ao mercado de trabalho e aqueles que optassem por entrar nas universidades poderia aprender seno/cosseno no curso de engenharia e sobre a composição das rochas no curso de geologia, se assim for necessário.

Se você leitor fizer um exame de consciência vai ver que 90% do que aprendemos, nos ensinos fundamental e médio, nunca utilizamos na nossa vida profissional e que os nossos filhos, que já nasceram na era da internet, estão aprendendo as mesmas coisas que aprendemos há 30 anos.

Gostaria que mais leitores se posicionassem a respeito desse assunto para tentarmos mudar alguma coisa na nossa educação.

Miguel Freddi, Rio Preto

Isolamento

Jogar a responsabilidade do isolamento no colo da população seria como lavar a mão com sangue na bacia da injustiça. Não precisamos de novos Pilatos. Precisamos de autoridades que se antecipem ao problema. Parece que o protocolo da saúde no combate à Covid só se limita aos infectados e com a preocupação da alta ocupação de leitos hospitalares e UTIs, ou seja, trabalham só depois que o 'leite derramou', 'enxuga gelo', e não na prevenção.

Mas se estão fazendo, não temos visto o combatem ao foco da contaminação, como umas 30 equipes de carros-pipas e máquinas de desinfetando, diariamente, ruas, calçadas, muros, portões de hospitais, mercados, feiras, farmácias, praças. Instalação de dezenas de túneis de desinfecção nas entradas e saídas de lugares públicos e essenciais. Quarenta bloqueios de pedestres e trânsito nas entradas da cidade por dia com medição de temperatura e encaminhamento ao tratamento. Blitze de desinfecção em locais de concentração de gente como bancos, lotéricas, etc.

Nem vou mencionar o número irrisório de testes de Covid. Mas não temos visto nada disso, o combate ao foco parece muito tímido. O que vemos é esperarem mais de 40 dias para a 'ficha cair' de que em pistas de caminhadas próximas a condomínios e bairros de luxo havia (ou ainda há) muito aglomeração de pessoas.

Por que as autoridades judiciais não obrigam a prefeitura a combater o foco? As autoridades responsáveis direta e indiretamente à Covid estão com as mãos amarradas? E a imprensa, que tem se calado em relação ao combate ao foco?

Afonso Martins, Rio Preto