Cartas do leitor

Demagogia e Covid


Todos os recursos financeiros enviados pelo governo para o combate ao novo coronavírus são bem-vindos e vitais, pois a vida não é mensurada economicamente. Isolamento social e os demais sacrifícios devem ser feitos, obrigatoriamente, para diminuir os casos e as mortes, independentemente da fala de governantes demagógicos, que são irresponsáveis e dizem que o "brasileiro, mesmo no esgoto, não pega nada".

O que não podemos aceitar são as indignas propostas de corte nos salários dos servidores que surge, ora no Legislativo, ora no Executivo, para suprir necessidades financeiras de governos federais e estaduais, que gastam mal e vivem de bravatas, distanciados da realidade.

Na visão distorcida dos governantes, o servidor público é o culpado de todas as mazelas econômicas do país. Um governo federal que, por exemplo, não sabe a diferença entre saúde e economia, não avaliando que o bem maior do ser humano é a sua própria existência.

A pandemia é real. Salvar vidas é um exercício da cidadania e da solidariedade humana. Aplaudimos e homenageamos os super-heróis da saúde e da segurança pública, que enfrentam a morte para que vivamos.

Porém, o servidor público da saúde não tem a capa do herói. Um governante inaugura hospitais e postos de saúde, mas passados poucos dias os abandona sem recursos mínimos de funcionamento, como materiais de proteção, remédios, macas e equipamentos, itens indispensáveis para o trabalho desses servidores, que ganham mal e se dedicam acolhendo os enfermos com esforço e humanidade. Quando é impossível, equivocadamente são ofendidos pela própria população, como se fossem culpados. O brasileiro se esquece ou ignora que o governante omisso é quem gera toda a deficiência no atendimento.

Se o governo federal complementa o salário do trabalhador da iniciativa privada no período da crise, é mais uma razão para que o trabalhador público não seja castigado, pois ele é que proporciona cidadania à população.

O que a sociedade quer é o corte dos penduricalhos de deputados (federais e estaduais) e dos senadores e que sejam extintos os cargos em comissão de apadrinhados e fundos partidários. A sociedade pede que sejam cobrados impostos sobre grandes fortunas e que sejam executadas as dívidas dos bancos.

Preservar os salários dos servidores públicos sem cortes é o mínimo de dignidade que o Estado deve ter com quem exerce a atividade em seu nome, mas para o povo.

Julio Bonafonte, diretor jurídico da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Doações

Gostaria, através desta coluna, parabenizar a centenária Loja Maçônica Cosmos pela arrecadação e posterior doação de alimentos, conforme foi publicada neste jornal, edição deste sábado, dia 16 de maio. Esta sim é a maneira correta de proceder neste momento de grave aflição que passa o Brasil e o mundo todo.

Espero também que todas as demais entidades procedam da mesma maneira útil para a humanidade.

Agnaldo Simão Monezzi, Rio Preto

Reflexão

Fomos levados a acreditar na onipotência do homem e em sua própria ciência. Pensávamos que nada poderia acontecer e se acontecesse, logo teríamos a solução, ou um remédio ou uma vacina, e em poucos dias tudo estaria resolvido, apenas com dinheiro e ciência. Vimos que já se passaram alguns meses desde o início da pandemia e não há nenhuma solução, a não ser a necessidade de isolamento social.

O momento faz com que as pessoas passem a ver a própria vida de maneira diferente. Tínhamos uma sociedade que, por vezes, não valorizava a vida, desde a sua concepção até a morte natural. Percebemos o quanto as pessoas hoje veem a importância da vida e, permanecendo em suas casas, a importância da família. Quando o homem vê que não é onipotente nem pode tudo, é que se redescobre ou aprofunda-se um pouco mais a dimensão da fé.

Dom Orani João Tempesta, cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro

Carta a Doria

Doria, te ver reclamando que a população não o escuta, não obedece os seus pedidos pra ficar em casa, ver a sua expressão de frustração todos os dias nas coletivas matinais, confesso que fico triste pela situação da doença, mas ao mesmo tempo me sinto vingado.

Doria, agora você está sentindo na pele o que nós professores da rede pública sentimos todos os dias. Você não sabe o quanto é difícil entrar numa sala de aula e, praticamente, implorar o tempo todo pra que as pessoas, no caso, os alunos façam o que você está pedindo, que é para o bem deles, e a maioria não te dá ouvidos, literalmente, te ignoram o tempo todo. Dória, essa frustração que você está sentindo, os professores da rede pública sabem muito bem o que é isso, praticamente lidamos com ela o tempo todo.

Mas tem um detalhe Doria, imagina se no final deste processo você ouvir que morreram muitos e foi porque você não fez a devida orientação, não tomou as medidas que tinham que ser tomadas e que não realizou o seu trabalho de maneira eficiente? Você iria ficar satisfeito, mesmo sabendo o quão injusto são essas acusações? Então, mas vocês sempre agiram dessa forma para com os professores, sempre jogaram a culpa do fracasso da educação paulista nas costas deles.

Pois é Doria, você está vendo na prática o quanto é difícil lidar com as pessoas, quando o assunto é educação. Espero que você tenha aprendido a lição e nunca mais diga que se o aluno não aprendeu foi porque o professor não ensinou. Você e os seus antecessores sempre jogaram isso na cara dos professores da rede pública.

João E. Brito da Silva, Rio Preto