Cartas do leitor

Tributação


Nunca foi surpresa para ninguém o resultado de pesquisas todo ano apontando o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo. Um lugar em que milionários e miseráveis ocupam espaços geográficos tão próximos mas vidas bem diferentes. Também não é surpresa em momentos de crise econômica a conta cair nas costas do trabalhador com ajustes fiscais, reformas trabalhistas e ataque a previdência, tudo numa aparente normalidade de "aperto de cinto" até voltarmos a viver dias melhores - se é que um dia eles existiram.

Pois bem, agora quando o assunto é taxação das grandes fortunas, tributação sobre as altas rendas e fim da exoneração fiscal para grandes empresários parece que estamos propondo um absurdo, algo inescrupuloso, um atentado as liberdades individuais e consequentemente a nossa própria democracia. Foi exatamente esse pecado que a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) ousou propor. Seus fiscais produziram um documento chamado "Tributar os ricos para enfrentar a crise" apontando o absurdo da desigualdade de renda no Brasil e como poderíamos confrontar a crise tirando de quem tem e ainda aliviando a tributação sobre as rendas mais baixas, o que provocaria inclusive um aumento no consumo.

Mandar o trabalhador ficar em casa ou o pequeno comerciante fechar as portas na quarentena, sem uma contrapartida que dê segurança a eles só está servindo para gerar insatisfação, impaciência e desespero de quem tem medo de perder ou emprego ou falir seu negócio, por outro lado, incentivar a abertura irrestrita no meio de uma pandemia colocando em risco a vida das pessoas como quer o presidente também beira a insanidade.

Poderíamos muito bem socorrer o trabalhador com uma renda emergencial digna e aliviar as taxas sobre o pequeno comerciante garantindo assim a tranquilidade para todos, na medida do possível. Como citei no início do texto, ninguém acha estranho quando o trabalhador perde sua aposentadoria, tem seu salário reduzido e sua jornada aumentada em nome de uma suposta recuperação da crise, mas todos se indignam quando o assunto é taxar as grandes fortunas.

Paulo Henrique Napoli, Rio Preto

Exigências pascais

Olhando para o calendário normal dos cristãos podemos ver que o período pascal ainda está acontecendo. Às vezes dizemos que a Páscoa é todo dia, não é questão de período, mas de vida concreta. Se Páscoa significa "passagem", mudança de atitudes, então ela implica fortes exigências transformadoras, de saída de uma realidade de sofrimento para construir situações novas e saudáveis.

Estamos ainda em tempo de pandemia, de sofrimento e medo causados pela agressividade do coronavírus. Como exigências pascais, de transformação da atual realidade, toda sociedade precisa vivenciar a Páscoa, ajudando nas mudanças necessárias, cada pessoa fazendo sua parte para impedir a proliferação do vírus. É surreal ver a morte de tantas pessoas contaminadas sem fazer nada!

No Antigo Testamento a Páscoa já era muito valorizada e celebrada pelo povo da Aliança, no sentido de agradecimento. Uma das referências fortes, que marcou o sentido da Páscoa, foi a saída do povo do Egito, com a travessia do Mar Vermelho e a longa caminhada pelo deserto, chegando à terra prometida. Foi sem dúvida, uma mudança sofrida e de muitas mortes, mas também de conquista.

Hoje atravessamos o deserto da pandemia. Muitas pessoas estão ficando pela estrada, mas não podemos desanimar por causa das dificuldades e sofrimentos do caminho. Realidade que provoca em toda a humanidade uma sensação de fragilidade e compromisso de fé. O Brasil atravessa um deserto muito difícil. Além da questão viral muito grave, temos também o problema institucional, a briga sem precedentes entre os poderes da República, peregrinando por uma via muito confusa. Toda a nação sofre com essas atitudes de irresponsabilidade dos nossos "legítimos" representantes. Até parece que a pandemia é um detalhe sem muita importância para o país.

As exigências pascais supõem prática do mandamento novo do amor e do "Espírito da Verdade", superando todo tipo de mentiras e hipocrisias presentes na atual cultura. Sem essas mudanças teremos uma situação cada vez mais marcada por hostilidades, como é o caso do coronavírus.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba

Mobilidade

Não é por nada não, mas daqui a pouco os carros vão ter que andar em fila única... Faixa de ônibus, ciclovia, cada hora põem algo a mais nesses trechos que mais congestionam na cidade.

Vinicius Cabrioti - via Facebook, Rio Preto

Mobilidade-2

Ciclovia tem que concorrer com o espaços difíceis do trânsito, concorrendo com os carros. Assim fica uma obra visível ao eleitor, não pode ser feita na rua paralela a avenida, e assim segue a vida do ser humano, desumano.

Paulo José De Fazzio Junior - via Facebook, Rio Preto

Prevenção

Na reportagem publicada na edição desta quarta-feira, dia 13, "Estado define critérios para retomada gradual das atividades", eles deixam bem claro que não haverá flexibilização do comércio se não diminuir o número de casos durante 14 dias. Então, fica em casa quem pode e quem realmente precisa trabalhar, vá fazendo o uso de máscara e álcool em gel.

Luana Domingos - via Facebook, Rio Preto

Perda

Sobre a notícia da morte do médico Manoel Carlos Santos, aos 68 anos, registro que Manoel Carlos e eu entramos juntos no serviço de auditoria da Unimed Rio Preto em 1996. Ele tornou-se nosso chefe. Tinha um grande senso de justiça. Era um pacificador nato. Possuía uma habilidade rara de construir consensos entre partidários de posições muito antagônicas.

Foi capaz de liderar uma equipe de auditores bem heterogênea mas extremamente motivada e eficiente. Amava o que fazia. Amava viver. Fez escola. Fica o legado. Aprendi muito com ele. Foi embora muito cedo. Descanse em paz, Mané.

Toufic Anbar Neto, Rio Preto