Cartas do leitor

Reabertura


No momento em que o mundo todo atravessa uma crise terrível na saúde, nosso presidente da República deixou a critério dos governadores e prefeitos algumas ações de combate a esse vírus perigoso e invisível. Citamos algumas como distanciamento social, fechamento de alguns estabelecimentos comerciais, etc, considerados não essenciais nesta fase. Evidentemente, isso tem provocado revolta entre os comerciantes que, via de regra, ficaram sem condições de arcar com seus compromissos. Há empresas demitindo em massa por falta de atividade, e, consequentemente, bateu desespero geral nos desativados momentâneos, por falta de recursos financeiros para honrar seus compromissos com o consequente risco de falência.

Como há, pelo país inteiro, intensos movimentos pela reabertura de firmas não consideradas essenciais, o presidente está propondo que algumas empresas sejam reativadas, ressalvando aos governadores e prefeitos o poder de veto. Essa ação é, no mínimo, uma jogada política, pois sabemos que a maioria dos governadores e prefeitos, principalmente das grandes cidades, será contrária ao que se pretende. Na realidade, ele está jogando uma bomba de efeito retardado no colo desses senhores(as), pois de um lado há os reclamantes em desespero e de outro, os donos do poder.

De certa forma, há por trás disso uma estratégia maquiavélica, pois se vetado o processo, a culpa não será dele e sim de quem usou o direito concedido. Isso posto, com essa possível proibição ele ficará bem na fita e aos demais restará o ódio pela medida impeditiva.

Embora a saúde da população sempre deverá ser prioritária, somente o tempo dirá quem está com a razão neste episódio.

Armelindo Pestile, Tanabi

Pandemia

Todos nós estamos no mesmo barco, querendo que o comércio volte a abrir, que essa pandemia acabe o mais rápido possível, que o nosso presidente Bolsonaro vença a batalha e a guerra, que o STF seja enterrado com todos os esquerdopatas lá dentro, prefeitos e governadores que estão ferrando com os comerciantes, empresários e funcionários sofram impeachment, que os caminhoneiros parem totalmente.

Os comerciantes e empresários não podem trabalhar. Enquanto que as farmácias, supermercados, postos de gasolina, pronto-socorro, postos de saúde, posto de policiamento, serviços médicos e hospitalar, pedágios, porque esses também não pararam?

Nelwil Barbosa Dantas, Rio Preto

Escuridão

Algumas notícias assustadoras assaltaram-nos no fim de semana passado: crianças estão morrendo de uma doença rara, mas que deixou de ser rara com o coronavírus grassando nos Estados Unidos e o Reino Unido. A flexibilização da Alemanha durou apenas cinco dias e o coronavírus retornou, impressionante! Na Coreia do Sul, que estava vencendo o coronavírus, também aconteceu o mesmo, aliás, políticos ligados ao governo federal mentem dizendo que neste país não aconteceu quarentena.

Esses fracassos nos fazem perguntar: quando vai acabar a quarentena? E quando acabar, como será? Os países que ignoraram a letalidade do vírus, Itália e Espanha, acompanhamos pela TV o que aconteceu. A Itália decretou o confinamento total ("lockdown") no dia 9 de março, querem flexibilizar agora, mas com dois meses depois desta data, contabilizam 200 mortos por dia em média. Já a Espanha decretou o confinamento em 14 de março, dois meses depois, está iniciando a flexibilização também com 200 mortos por dia em média. Não vai dar certo!

É preciso ressaltar que esses países citados são muito mais organizados que o nosso. A China é o único país que venceu a crise, ou seja, zerou o número de mortes. Itália e a Espanha nos mostram o que acontece quando se demorar para entrar no confinamento (lockdown) e a Coreia do Sul, se liberar bares e festas. Estamos a caminho da situação dos dois primeiros, lenta, mas certamente. Nossa salvação é a declaração imediata do confinamento e de todas as cidades, pois não sabemos quem está contaminado e transmitindo. E deve durar 45 dias, porque os infectados atuais poderão infectar outros na mesma casa nos 14 dias que o contágio pode durar e que infectarão outros.

Então, é possível flexibilizar aos poucos, conforme orienta a Organização Mundial da Saúde, a saber: 1) transmissão controlada; 2) sistema de saúde capaz de testar e isolar casos; 3) minimizar surtos em casas de repouso; 4) administrar importação de casos; 5) engajamento da comunidade; 6) prevenção no trabalho e escolas. Só a união dos representantes eleitos e da Justiça poderá salvar o país.

Mario Eugenio Saturno, Catanduva

Controvérsia

Quero entender o que ocorre no país com essa pandemia. As dúvidas correm: se máscaras funcionam, por que fechar o comércio? Se não funcionam, por que obrigar usá-las? Uma hora o vírus é chinês, outra não. Secretário de Saúde do governo Doria não se isolou, se automedicou com cloroquina e não indicou o medicamento para salvar a população de São Paulo. As pessoas que até outro dia fizeram uso desse medicamento para artrite, lúpus ou malária, nunca ficaram cegas, mas se usarem para Covid-19 corre o risco? Será que o doutor David Uip fosse do partido do Bolsonaro ele indicaria e empenharia o uso do hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento contra o novo coronavírus como fez para ele?

Estou começando acreditar que realmente esse vírus controverso é político. No gráfico de risco de contágio, veículos particulares aparecem lá em baixo, já transportes públicos estão no topo, indicando alto risco. Opa! Então esse rodízio em São Paulo é para levar o povo para o matadouro, para aglomeração no metrô e ônibus?

Quando o governo federal decretou estado de emergência em fevereiro para conter o coronavírus no Brasil, os governadores ignoraram e foram festejar o carnaval e agora estão envolvidos em compras superfaturadas de itens para conter e diminuir a pandemia.

Foi mais fácil cancelar as aulas do que o carnaval, mostrando o que é mais importante neste país! A polêmica é tão grande que hoje em Minas Gerais a taxa de mortalidade é quase 20 vezes menor que São Paulo. Deixando um pensamento: "ou Doria está sendo muito ruim, ou fraudando números, ou esse vírus não gosta dos irmãos mineiros".

Audinei Lopes Bonfanti, Bálsamo