EMPREGO

É possível encontrar um emprego em meio à pandemia?

Mesmo no cenário de incertezas, há empresas contratando, mas o profissional precisa se manter atualizado e estar aberto a diferentes oportunidades


 Daniela Brandi
Daniela Brandi - Johnny Torres 18/7/2019

A incerteza de quando a pandemia do coronavírus acabará deixa o sentimento de apreensão, afinal, a crise econômica provocada pelo vírus pode gerar desemprego. A boa notícia é que existem, sim, empresas contratando em meio à pandemia, mas ser selecionado para uma vaga neste momento é um desafio ainda maior do que em tempos considerados "normais", já que a paralisação de algumas atividades comerciais continua até o fim de maio e a solução, então, é adaptar-se ao novo mercado e estar preparado para uma possível rotina de home office.

Persistir é o primeiro passo para ter êxito, mas também é necessário refletir sobre a própria carreira, segundo a psicóloga e consultora de recursos humanos estratégicos Daniela Brandi. "Os empregos continuarão surgindo, mas não necessariamente na quantidade que surgia ou nas áreas em que procuramos. Estar aberto às novas oportunidades faz com que ampliemos nossa perspectiva de carreira", explica.

Outro ponto que facilita a ter mais chances de encontrar um emprego é estar atualizado. Nesse período de reclusão, a oferta de cursos online pode ajudar o profissional a se atualizar. "Anteriormente, nos deslocávamos para ouvir presencialmente as pessoas que são referências em determinados assuntos e investíamos financeiramente nisso. Hoje podemos ter acesso de dentro da nossa casa, sem despesas de transporte, hospedagem e ingresso", diz Daniela.

Aproveitar o tempo para atualizar as redes sociais a fim de estabelecer contatos profissionais também é uma forma de saber sobre novas vagas de emprego. Além disso, renovar o currículo nos perfis online é fundamental, de acordo com a especialista. "Além de aumentar sua chance de ser selecionado, demonstra interesse pelas vagas e respeito ao selecionador e à empresa contratante", explica.

Por outro lado, não se apegar à formação tradicional e dar espaço para novas competências é um desafio para quem precisa se reinventar, seja em um trabalho temporário ou como freelancer. "Cabe nos questionarmos se acreditamos apenas no nosso diploma ou se somos capazes de fazer várias outras coisas. Não há problema nenhum em trabalhos freelancer", diz Daniela. Ela ressalta ainda que novos desafios darão ao trabalhador a oportunidade de perceber que "somos melhores e mais capazes do que achávamos que éramos".

A especialista avalia que esta é a era do emprego remoto e que a transição, que estava caminhando a passos curtos, agora foi acelerada. "Quando o isolamento terminar, muitas empresas e pessoas optarão pela continuidade de alguns cargos dessa forma. A maioria das pessoas e empresas já aprenderam a trabalhar remotamente e, em algumas experiências, estão com resultados melhores do que tinha", finaliza.

E depois da pandemia?

O economista Bruno Sbrogio pontua que essa é a primeira vez na história econômica que ocorre a supressão, caracterizada pelo impedimento da economia funcionar por força de leis. "Nunca ocorreu de haver um período tão longo de fechamento da economia em tantos setores diferentes. Esse impacto é realmente muito grande e ainda não tem ferramenta nenhuma para codificar e nem sequer temos um relato histórico de algo parecido que tenha acontecido", explica.

As medidas adotadas para lidar com a crise, de acordo com o economista, seriam manter a renda das pessoas e o consumo das famílias. Por essa razão, foi liberado o auxílio emergencial. "Além disso, manter as empresas abertas, ainda que não estejam produzindo ou vendendo, além do CNPJ ativo, são maneiras de tentar segurar [a economia]. Para isso, também foram feitas linhas de crédito do governo. Os bancos estão sendo orientados a ter um pouco mais de tolerância com relação a créditos e vencimentos, a fim de tentar manter esse nível de oferta o mais preparado possível para que, quando forem ligados os interruptores da economia, não tenha tido uma perda muito grande".

Bruno complementa dizendo que a abertura de novos postos de trabalho após a pandemia vai depender muito dessa recuperação da estrutura econômica. "Não sabemos como a economia vai reagir no momento de religar, até por falta de literatura econômica no momento de supressão", finaliza.

(Colaborou Beatriz Moreira)