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Rio Preto em Foco

Faculdade de Medicina. Reivindicação máxima de Rio Preto

Instalação da faculdade de medicina estava na pauta municipal desde a década de 1950. Veja os principais incentivadores dessa conquista

Bruno Ferro
Publicado em 18/04/2020 às 22:04Atualizado em 07/06/2021 às 03:45

O sonho de implantar uma faculdade de medicina em Rio Preto é antigo. Em 1º de fevereiro de 1955, o professor e vereador Daud Jorge Simão apresentou na Câmara um projeto de lei abrindo crédito de 1 milhão de cruzeiros no orçamento da Prefeitura para dar início à construção de uma Cidade Universitária. Daud era muito influente na cidade na época e movimentou a sociedade, convocando entidades e estudantes para encamparem a sua ideia. Pressionada pela movimentação, a Câmara Municipal, em 24 de maio de 1955, aprovou a criação da Universidade Municipal, votando o projeto de lei nº 30/5. O prefeito Philadelpho Gouveia Neto imediatamente sancionou a lei.

O mesmo Daud Jorge Simão, em 6 de março de 1956, fez outro requerimento à Câmara manifestando o interesse na criação de uma Faculdade de Medicina em Rio Preto. No dia 12 de agosto de 1958, a Sociedade de Medicina convocou uma grande reunião para lançar campanha pela criação da faculdade e, no final de 1958, a Assembleia Legislativa aprovou, em São Paulo, projeto de lei do deputado Aloysio Nunes Ferreira criando a Faculdade de Medicina e Odontologia de Rio Preto. Mas o governador Jânio Quadros, em fim de mandato, deixou o cargo sem assinar a lei, frustrando um grupo de rio-pretenses, liderados por Waldemar de Oliveira Verdi, presidente da Associação Comercial, e o vereador Hélio Negrelli, que foram pessoalmente falar com o governador, em 19 de dezembro de 1959.

Em fevereiro de 1967, houve um movimento, liderado pelo médico Raul de Aguiar Ribeiro junto a cidades vizinhas e, no dia 1º, criaram a Fundação Regional de Ensino Superior da Araraquarense (Fresa), que beneficiaria o sistema de saúde de diversas cidades. Com o apoio de parcerias de investimentos privados e municipais, o sonho da criação da faculdade foi se tornando cada vez mais real. Em 1967, o governador Abreu Sodré fazia sua primeira visita à cidade e houve uma grande reivindicação dos políticos de toda a região e médicos locais. A juventude rio-pretense desfilou com faixas pela rua Bernardino de Campos, em frente ao palanque montado para o governador, reivindicando a instalação da Faculdade de Medicina na cidade.

Como sempre, o fotógrafo Jaime Colagiovanni estava lá e fez belos cliques. Sylvio Calabrezzi, da Cometa Filmes, também produziu um belo documentário. Em 30 de janeiro de 1968, o Conselho Federal de Educação autorizou o funcionamento da faculdade. Em 1970, Fresa e Santa Casa assinam um comodato para uso do Hospital das Clínicas para o funcionamento do hospital-escola, em caráter filantrópico. O nome original foi substituído e adotado o de Hospital de Base, ou seja, base para a Faculdade de Medicina. Em 1994, ela foi estadualizada, sob a denominação de Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

Rio-pretenses e moradores da região em desfile pela rua Bernardino de Campos durante visita do governador Abreu Sodré, em 1967. Eles pediam pela instalação da faculdade de medicina em Rio Preto

(Fotos: Jaime Colagiovanni)

 
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