SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 16 DE OUTUBRO DE 2021
PARALISADA

Prefeitura de Rio Preto embarga obra do Centro Cultural Vasco

Prefeitura determinou a paralisação de construção iniciada em área pública pelo Centro Cultural Vasco; vereador João Paulo Rillo acusa governo de suposta perseguição política

Rodrigo Lima
Publicado em 18/09/2021 às 22:43Atualizado em 20/09/2021 às 10:56
Terreno público localizado na ruas dos Expedicionários: obra foi paralisada pela Prefeitura de Rio Preto (Jhonny Torres)

Terreno público localizado na ruas dos Expedicionários: obra foi paralisada pela Prefeitura de Rio Preto (Jhonny Torres)

A Prefeitura de Rio Preto embargou obra em área pública iniciada pelo Centro Cultural Vasco, entidade que mantém laços estreitos com a família Rillo. Em terreno com 480 metros quadrados, localizado ao lado da UBS do Parque Industrial, o centro cultural havia iniciado a construção de uma cozinha solidária, que acabou sendo paralisada pela fiscalização da Secretaria de Obras.

O vereador João Paulo Rillo (Psol), que admite manter uma relação histórica com o centro cultural, aponta possível perseguição politica por parte do governo do prefeito Edinho Araújo (MDB), já que ele alega que a entidade já havia estabelecido uma parceria com o município para a utilização do imóvel. Segundo o parlamentar, o embargo da obra ocorreu após o avanço das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura contratos de empresas terceirizadas com o município e a visita do pré-candidato a governador Guilherme Boulos no terreno.

"Depois da CPI das Terceirizadas começou a perseguição. Sabe quando saiu a notificação? Exatamente no dia em que o Boulos visitou a construção da cozinha solidária", afirmou João Paulo ao enfatizar que o município está embargando projeto da cozinha social que teria como objetivo distribuir 150 marmitas para pessoas carentes na cidade.

De acordo com o vereador do Psol, que faz oposição a atual administração, já foram iniciadas tratativas entre representantes do Centro Cultural, o secretário de Governo, Jair Moretti, e o secretário de Planejamento, Orlando Bolçone, atual vice-prefeito. O ex-vereador Marco Rillo (PT) também se reuniu com Moretti para debater uma alternativa para solucionar o impasse nos últimos dias.

Um dos argumentos usados por representantes da entidade é de que o terreno não teria sequer registro no cartório de imóveis. E a ocupação da área ocorreu com anuência do próprio município. "A Prefeitura fez calçada e ligação de água. Nós utilizamos o espaço para atividades há dois anos", afirmou o coordenador do Centro Cultural Vasco, Douglas Sendem.

Em nota, no entanto, o Executivo afirmou que a área "está no cadastro da Prefeitura de Rio Preto, portanto, é uma área pública". "Ela está sendo ocupada há alguns anos pelo Centro Cultural Vasco, sendo que ali eles realizam shows, atividades culturais e reuniões. Até o momento, a área não havia sido concedida formalmente, mas era cuidada pelos ocupantes", consta na nota.

De acordo ainda com a Prefeitura, para se fazer a obra no local depende da formalização de uma concessão. "A obra foi denunciada para o setor de fiscalização da Prefeitura, que em diligências ao local constataram as irregularidades e determinaram a paralisação dos trabalhos. Diante disso, a obra se encontra paralisada. Tratativas estão acontecendo para possibilidade de regularização e formalização do uso da área", afirmou.

Moretti negou qualquer tipo de perseguição política envolvendo o caso. Ele afirmou que, no momento, não é possível fazer a regularização da situação pela falta de documentação do próprio centro cultural. Além disso, a construção não tem alvará de construção.

"O prefeito Edinho Araújo não persegue ninguém. A questão ali é de legalidade", disse.

Bolçone quer solução pacífica

O secretário de Planejamento, Orlando Bolçone, vice-prefeito, afirmou neste sábado, 18, que o objetivo é encontrar uma "solução pacífica". Ele defendeu o diálogo para tentar resolver o problema do embargo da construção.

De acordo com Bolçone, o espaço já era utilizado pelo Centro Cultural Vasco com aval do próprio município. Ele afirmou, no entanto, que a entidade não tinha a autorização para iniciar a construção da cozinha solidária no local, o que depende por exemplo da liberação da Secretaria de Obras. A entidade mantém material de construção no local.

O vice-prefeito reforçou que o terreno pertence ao município. "Mas se conseguimos regularizar até a (favela) da Vila Itália, nós vamos buscar uma solução pacífica para este caso", disse Bolçone.

O coordenador do centro cultural, Douglas Sendem, afirmou que a entidade avalia levar o caso para conhecimento do Ministério Público. O objetivo seria debater uma saída para o impasse.

 
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