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Diário da Região

08/01/2017 - 00h00min

CHOQUE DE REALIDADE

Novos prefeitos da região cortam até cafezinho

CHOQUE DE REALIDADE

Divulgação Mato toma conta de trator da Prefeitura de Fernandópolis (foto maior), onde cerca de 60% da frota estaria condenada; outro veículo sem condições de uso da Prefeitura de Fernandópolis (foto menor em cima); trator abandonado da Prefeitura de Catanduva (foto maior em baixo)
Mato toma conta de trator da Prefeitura de Fernandópolis (foto maior), onde cerca de 60% da frota estaria condenada; outro veículo sem condições de uso da Prefeitura de Fernandópolis (foto menor em cima); trator abandonado da Prefeitura de Catanduva (foto maior em baixo)

Uma semana depois da festa da posse de prefeitos na região de Rio Preto, a ressaca bate forte. O choque de realidade após empolgados discursos mostra cenário caótico: prefeituras no vermelho, dívidas milionárias, fornecedores sem receber, funcionários com salário em atraso e frota sucateada. Diante da crise, eles têm adotado medidas drásticas para cortas gastos, o que inclui redução de cargos em comissão, os famosos apadrinhados. Em casos mais extremos, até o tradicional cafezinho foi suprimido.

É o que acontece, por exemplo, em Jales. Candidato único, com apoio maciço de partidos da cidade, Flávio Prandi Franco (DEM), o Flá, foi quem teve de pagar, na sexta, 6, o salário de servidores referente a dezembro. Agora, tenta renegociar contrato com credores. “Não acredito que vá dá para pagar tudo que está empenhado (com pagamento previsto). Com Orçamento de R$ 131 milhões, o prefeito resolveu suspender todas as compras. “Também vamos nomear o mínimo de cargos em comissão. E não é para comprar mais nada”, diz ele.

Que leva de casa o café para tomar na prefeitura. “É um ato simbólico, mas mostra como está difícil.” Em Fernandópolis, o prefeito André Pessuto (DEM) constatou que a crise era maior do que imaginava. “Esperava encontrar uma situação melhor. Estamos à beira do caos. Herdei uma dívida de R$ 45 milhões, a maior parte do montante relativo a instituto de previdência municipal. É muito dinheiro. Cerca de 60% da frota da prefeitura está condenada. Tem um trator em que está nascendo um pé de mamona. Realmente não era o que esperava”, diz.

 

Fernando Cunha, Pessuto e Flá - 08012017 Fernando Cunha, de Olímpia, fundiu secretarias; Pessuto, de Fernandópolis, diz que crise era maior do que imaginava; Flá, de Jales, leva café da casa para a prefeitura

Fim do cafezinho

Fernandópolis, cujo Orçamento anual é de R$ 199 milhões, é outro município onde o cafezinho já foi cortado. Pessuto culpa a situação econômica do País e as gestões anteriores. “Infelizmente não temos hábito de formar gestores. Isso é no Brasil como um todo”, afirma. A Prefeitura de Fernandópolis pretende economizar cerca de R$ 500 mil no ano com redução de comissionados. “Reduzimos de 120 para no máximo 50”, disse Pessutto.

Em Olímpia, o prefeito Fernando Cunha (PR) tem como meta economizar R$ 10 milhões com cortes de secretarias e cargos. Diz ainda que vai renegociar contratos. Só com coleta de lixo, a dívida é de cerca de R$ 1,8 milhão. “Vamos analisar, mas pretendo romper o contrato”, afirmou. Em Tabapuã, a prefeita Maria Felicidade Peres Campos Arroyo (PMDB), também teve surpresas desagradáveis. Segundo ela, a Prefeitura acumula dívidas de R$ 3,6 milhões. 

“Até a conta de energia elétrica estava em atraso”, afirma. Servidores também estão com salários atrasados. A situação do município, cujo Orçamento anual é de R$ 36 milhões, é gravíssima. “Tem carro oficial que nem anda”, reclama. Segundo ela, os 55 cargos em comissão devem ser preenchidos apenas em parte. A prefeitura estima que cerca de 300 servidores não receberam o salário de dezembro. Em Catanduva, o prefeito Afonso Macchione (PSB) também diz ter pego a prefeitura com parte da frota sucateada. 

Assim como os colegas de outras cidades, ele resolveu “juntar” secretarias. “Nomeamos o mínimo possível. Temos três secretários nomeados e outros oito vão ocupar os cargos são funcionários de carreira. Tínhamos mais de 44 assessores técnicos e não estamos nomeando ninguém”, diz. De acordo com o prefeito, a folha de pagamento de dezembro também ficou para ser paga neste mês. “E estamos fazendo levantamento detalhado da situação da frota de veículos.”

Em José Bonifácio, o prefeito Celso Olimar Calgaro (PSD), o Gaúcho, resolveu cortar pagamentos de horas extras. A redução de comissionados é outra norma implementada. “Temos 46 cargos em comissão mas vamos nomear uns 15.” Outro prefeito da região que disse ter recebido a administração com caixa praticamente “zerado” é Flávio Alves (PSD), de Potirendaba. “O governo anterior citou que deixou R$ 3 milhões em caixa, mas é de dinheiro ‘amarrado’”, afirmou. O prefeito disse ter contratado dois mecânicos para analisar a situação da frota.

 

Jair Moretti - 08012017 O secretário de Governo de Rio Preto, Jair Moretti: corte de 30%

Posse atrasada

Diferentemente da maioria das cidades citadas até aqui, o prefeito de Votuporanga, João Dado (SD), recebeu apoio do antecessor, Júnior Marão (PSDB). O prefeito relata uma situação mais confortável em termos de caixa, mas por conta de imbróglio na Justiça, Dado só conseguiu empossar seu secretariado na sexta-feira, 6. O Tribunal de Justiça declarou inconstitucional lei que criou mais de 300 cargos em comissão na cidade.

A toque de caixa, Dado aprovou nova estrutura administrativa. Criou cerca de 200 funções gratificadas para servidores de carreira e poderá nomear 94 cargos em comissão. “Fizemos a adequação necessária e demos posse aos secretários. Nossa situação financeira está equilibrada e no dia 30 de dezembro entrou R$ 2 milhões de repatriação no caixa (repasse do governo federal)”, afirmou Dado.

Hora de cortar

Na avaliação do presidente da AMA (Associação de Municípios da Araraquarense), Antônio Carlos Macarrão (PR), ex-prefeito de Mira Estrela, o momento atual é de crise aguda e a hora é de cortar gastos. “A crise está instalada. Prefeito que não tiver a inteligência de segurar gastos neste início de mandato não vai conseguir pagar funcionários em maio ou junho”, disse.

 

Arte - Crise na Prefeitura - 08012017 Clique na imagem para ampliar

 

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