SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 2021
EM SÃO PAULO

Manifestantes de Rio Preto e região pedem impeachment de Bolsonaro em ato na Paulista

Moradores de pelo menos 20 cidades da região foram para o protesto em São Paulo

Gabriel VitalPublicado em 12/09/2021 às 11:36Atualizado há 12/09/2021 às 14:25
De máscara e óculos escuros, presidente municipal do PDT de Rio Preto, Carlos Arnaldo, grava vídeo na avenida Paulista momentos antes do início da manifestação anti-Bolsonaro (Reprodução)

De máscara e óculos escuros, presidente municipal do PDT de Rio Preto, Carlos Arnaldo, grava vídeo na avenida Paulista momentos antes do início da manifestação anti-Bolsonaro (Reprodução)

Cerca de 50 moradores de Rio Preto, além de pessoas de outras 20 cidades da região foram até São Paulo neste domingo, 12, protestar pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na avenida Paulista. O ato foi convocado pelos movimentos Brasil Livre (MBL), Livres e Vem Pra Rua, que lideraram protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.

Centrais sindicais, como a Força Sindical, e o PDT, que tem Ciro Gomes como presidenciável, aderiram à manifestação. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e partidos como PT e Psol decidiram não se juntar ao protesto. O presidente municipal do PDT de Rio Preto, Carlos Arnaldo, viajou para participar da manifestação m São Paulo.

"A pauta hoje é 'Fora Bolsonaro', pauta única. Todos que buscam uma terceira via também estarão conosco, seja de direita, seja de esquerda", disse Warlen Miiller, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) de Rio Preto.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, até a semana passada os organizadores defendiam o discurso "nem Lula, nem Bolsonaro", mas o grupo chegou ao consenso de focar na pauta única do impeachment, o que não foi suficiente para atrair partidos e movimentos mais à esquerda. "Os fatos de hoje poderão ditar os novos rumos para as próximas eleições", completou Miiller.

O rio-pretense, que ficou como suplente de vereador pelo DEM na última eleição, em 2020, disse que o MBL não marcou nenhum ato pelo impeachment de Bolsonaro em Rio Preto para este domingo, já que o grupo optou por se concentrar em São Paulo.

A manifestação reúne presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoedo (Novo), além de senadores e deputados federais que vão de Kim Kataguiri (DEM) a Tábata Amaral (ex-PDT e atualmente sem partido).

Protestos contra Bolsonaro em cinco capitais têm baixa adesão pela manhã

Manifestantes protestam contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, em Copacabana, zona sul do Rio

Os atos que ocorreram na manhã deste domingo, 12, em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro, foram marcados por baixa adesão do público. Organizados pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua (VPR) e Livres, os protestos foram realizados em cinco capitais brasileiras, sem atrair grandes setores da esquerda. À tarde, estão previstas manifestações em outras dez capitais.

Belo Horizonte e Rio reuniram os maiores contingentes até agora. Na capital fluminense, o grupo começou a se concentrar em Copacabana às 10h. No carro do VPR, um cartaz mostrava o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT) atrás das grades, rompendo a trégua declarada para atrair representantes da esquerda. Organizadores haviam deixado de lado o mote "Nem Bolsonaro, nem Lula" e decidido focar somente no impeachment do presidente da República.

O PDT declarou apoio ao ato, mas o movimento não teve adesão formal de outras das principais siglas de esquerda, como PT e PSOL. Tampouco essa trégua parece ter sido assumida por parte dos ativistas presentes nos atos, como ficou claro em Copacabana.

Os poucos manifestantes de partidos de esquerda presentes na manifestação contra o presidente Bolsonaro no Rio se colocaram ao lado do carro do MBL. Bandeiras do movimento da centro-direita e dos partidos foram balançadas lado a lado na orla. Mais perto do carro do VPR, uma faixa grande reforçava a rejeição ao presidente e ao petista.

Candidato à Presidência pelo Novo em 2018, o empresário João Amoêdo esteve no ato do Rio. Questionado pelo Estadão sobre o embate entre os dois carros de som, que vinham defendendo causas diferentes, ele se colocou ao lado do MBL, que "esqueceu" Lula e se concentrou na bandeira do impeachment.

"A pauta dos brasileiros não é eleição, 'terceira via', nada disso", disse. "A gente tem de entender que qualquer construção de um Brasil melhor passa pela saída do Bolsonaro. Se a gente não tiver prioridade total nisso, vai ter ainda mais dificuldade nessa tarefa, que já não é fácil."

'Nosso movimento é de direita'

Em Belo Horizonte, o ato na Praça da Liberdade ganhou força por volta das 11h. Imagens compartilhadas pelo MBL nas redes sociais mostram o público vestido majoritariamente de branco, como pedido pelos organizadores, no intuito de evitar a contraposição entre o vermelho associado à esquerda e o verde e amarelo das manifestações bolsonaristas.

"Não estou nem aí para a participação da esquerda. O nosso movimento é de direita", afirmou o piloto de avião Cláudio Costa Pereira, um dos coordenadores do ato na capital mineira. O estudante de direito César Peret, também parte da coordenação, disse que a participação dos movimentos e partidos de esquerda ficou "no ar", mas os grupos não apareceram.

O PDT, a Rede e o movimento Acredito optaram por apoiar o protesto na capital mineira, mas somente representantes do primeiro apareceram no evento. Por volta de 10h40, um grupo de cerca de 20 pessoas do PDT chegou ao ato, portando bandeiras da legenda e cartazes do ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do partido à Presidência que também deve participar do ato na Avenida Paulista, em São Paulo.

Em Salvador, partidários do PDT, Novo e do Livres se uniram no protesto contra o presidente Jair Bolsonaro no Farol da Barra. Fora do foco planejado para as manifestações pelo Brasil, apenas algumas dezenas de pessoas compareceram.

Alguns transeuntes passaram pelo ponto turístico gritando "fora, Bolsonaro". Apesar do esforço pela união suprapartidária, no microfone aberto, quando militantes do Novo falavam, pedetistas saíam, e vice-versa.

Em São Luís, manifestantes se reuniram na Praça do Pescador a partir das 9h para pedir o impeachment do presidente Bolsonaro. Com faixas e cartazes "Fora, Bolsonaro", o movimento uniu o MBL a representantes do Novo, PDT, Cidadania e Rede, além de integrantes de igrejas evangélicas, em críticas ao presidente.

Para o presidente estadual do Novo no Maranhão, Leonardo Arruda, "Bolsonaro é o maior estelionatário eleitoral do século 21": "Ele enganou todos os seus eleitores e grande parcela da população. Crime de responsabilidade fiscal é carta marcada de seu governo. O impeachment é a saída".

Na capital do Espírito Santo, a manifestação começou às 9h30, na Praça do Papa. Após a concentração, os manifestantes saíram em carreata pela Terceira Ponte até chegar à Prainha, em Vila Velha. Segundo a PM, cerca de 80 veículos participaram do ato, que foi encerrado sem ocorrências.

Diferentemente do que foi decidido em alguns Estados, no Espírito Santo a manifestação manteve o lema "nem Lula, nem Bolsonaro". Por isso, partidos como o PT e o PSOL não aderiram aos atos. O PSB e o PDT convocaram a militância para os protestos, mas não houve grande adesão.

"Querem dizer que só existe Lula e Bolsonaro, mas não é verdade. Temos tempo hábil de buscar um outro nome que respeite a democracia, que respeite as instituições e que, fundamentalmente, tenha condições de fazer a gestão do Brasil", afirmou Gustavo Peixoto, um dos líderes do movimento Vem Pra Rua ES.

Pró-Bolsonaro

Também para esta manhã de domingo estava marcada uma manifestação pró-governo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato, marcado para começar às 9h, teve a adesão de poucos manifestantes. Para garantir a segurança, diversas vias próximas ao local foram bloqueadas pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), que esperava movimentação até às 14h de apoiadores do presidente Bolsonaro.

 
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