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ELEIÇÕES 2022

Lula aposta em Alckmin na cúpula e mira atração de apoio de tucanos

A ideia é que o vice na chapa tenha protagonismo, indicando três nomes para a equipe de plano de governo e mais dois para a coordenação política

Estadão Conteúdo
Publicado em 15/05/2022 às 08:25Atualizado em 15/05/2022 às 15:43
Ex-presidente Lula concorrerá às eleições de outubro ao lado do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice (Ricardo Stuckert/Divulgação)

Ex-presidente Lula concorrerá às eleições de outubro ao lado do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice (Ricardo Stuckert/Divulgação)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende abrir espaço para o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) na cúpula de sua campanha ao Planalto. A ideia é que o vice na chapa tenha protagonismo, indicando três nomes para a equipe de plano de governo e mais dois para a coordenação política. Além do ex-governador, para reforçar o simbolismo de uma inflexão ao centro, a direção petista quer ainda atrair nomes históricos do PSDB, que permanecem filiados ao partido rival.

A ideia é arregimentar o apoio de tucanos que consideram prioridade uma aliança para derrotar o presidente Jair Bolsonaro mesmo que o PSDB mantenha candidatura própria ou se alie ao MDB e apoie oficialmente a senadora Simone Tebet (MS).

A chapa presidencial foi lançada sem que tenham sido apresentadas propostas claras para um futuro governo que conciliem as diferenças entre petistas e alckmistas. A busca por novos apoios entre os tucanos seria um meio de afastar a ideia de que o acordo com o ex-governador seria algo para "inglês ver", uma mera aliança personalista.

PT e PSDB formaram a polarização hegemônica no período pós-redemocratização, com divergências significativas principalmente em relação às diretrizes econômicas. Lula defende que a presença de Alckmin nas decisões da campanha é importante para ter ao seu lado alguém que pensa diferente dos companheiros e possa, segundo apurou o Estadão, adverti-los quando estiver "fazendo bobagem". De acordo com petistas, o núcleo da campanha terá dois grupos: uma coordenação executiva enxuta e outra coordenação-geral, com os líderes dos partidos aliados.

"A expectativa é que o Geraldo tenha protagonismo na campanha, e não será só de fachada", disse o advogado e coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho, que integra o círculo mais próximo de Lula. Este grupo no entorno do petista deve ter, além de Alckmin, Luiz Dulci - que cuidará da agenda do candidato -, a deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffman - coordenadora-geral da campanha -, Edinho Silva e Rui Falcão - que cuidarão da comunicação -, e os ex-governadores Wellington Dias e Jaques Wagner, responsáveis pelos contatos políticos. Interlocutores de Alckmin confirma as conversas com o PT para que o ex-governador esteja na cúpula da campanha.

TUCANOS - Além disso, petistas e alckmistas buscam atrair integrantes do PSDB que tenham peso na opinião pública, acesso aos meios de comunicação e ao mercado. Esses nomes tucanos são apontados, inclusive, como potenciais ministros ou colaboradores de um eventual governo: Aloysio Nunes, José Aníbal, Marconi Perillo, Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Rodrigo Maia. Há esperança ainda de se contar com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em um possível segundo turno da disputa presidencial.

Há na cúpula petista um sentimento de resignação: integrantes da pré-campanha contabilizam o desconforto de terem menos espaço num a eventual gestão em troca da governabilidade. Já entre os tucanos, além da resistência que enxergam em seus eleitores, há ainda muita desconfiança sobre questões econômicas, como o compromisso do PT com responsabilidade fiscal e a divisão de responsabilidades no poder.

Mesmo assim, na sexta-feira, o primeiro desses tucanos - Aloysio Nunes Ferreira - assumiu ao Estadão o apoio a Lula já no primeiro turno. "O segundo turno já começou e eu não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno", disse Aloysio à coluna de Vera Rosa. Já houve encontros e conversas entre petistas e Aníbal e Jereissati.

"É difícil que o partido venha inteiro para nossa aliança, pois a legenda está nas mãos do (João) Doria e do Aécio (Neves)", disse Fernando Pimentel (PT), ex-governador de Minas, esteve com Lula na segunda-feira, em Belo Horizonte. "São importantíssimos, ainda que o apoio seja a título pessoal", afirmou Pimentel. Quando era prefeito de Belo Horizonte, Pimentel fez acordo com o PSDB liderado por Aécio, mas a aliança na eleição municipal de 2008 fracassou depois. Para ele, o apoio de Aloysio e de outros tucanos pode significar "participação em um futuro governo".

Por outro lado, petistas sabem que terão de enfrentar na campanha as acusações levantadas pela Lava Jato. Por isso, procuram manter afastados nomes envolvidos no mensalão, como José Dirceu.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

'Grupo que apoia Lula deixa marca dolorosa no MDB', diz Simon

Decano do MDB, o ex-governador do Rio Grande do Sul, ex-senador e ex-ministro da Agricultura de José Sarney, Pedro Simon, de 92 anos, acumulou sete décadas consecutivas de atuação na vida pública. Com essa bagagem, insurge-se contra a ala lulista de seu partido e se tornou ardoroso defensor da pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República.

Nesta entrevista ao Estadão, Simon afirma que, em caso de polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, votaria, pela primeira vez na vida, em branco. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Uma ala do MDB defende o apoio do partido a Lula para a Presidência. A sigla é mais antipetista ou lulista?

MDB sempre foi um partido complexo. Liderou a campanha das Diretas-Já, a Assembleia Nacional Constituinte e o movimento pelo fim da tortura, mas sempre teve um grupo que ia para o outro lado. O grupo que apoiou o Lula na corrupção que foi feita sempre gostou de mamar nas tetas do governo. Hoje, não tenho dúvida de que nesse drama cruel que estamos vivendo - em que, de certa forma, querem determinar que metade do Brasil seja Lula e metade Bolsonaro -, o MDB reúne condições de dar a grande caminhada para um Brasil realmente democrático. Simone Tebet é um nome espetacular. É uma mulher digna, honesta e competente.

Mas como avalia a força dos emedebistas que apoiam Lula, como Renan Calheiros e Eunício Oliveira?

Esse grupo está identificado com a Operação Lava Jato. Está provado e reconhecido, embora os processos não andem porque o Supremo Tribunal Federal deixou na gaveta. A marca que eles deixaram é triste e dolorosa. Lula deveria estar na cadeia e essas pessoas deveriam estar respondendo a seus processos. Esses nomes têm condenações graves e sérias, mas o Supremo fez uma espécie de troca-troca: um não mexe com o outro.

Há muitos bolsonaristas no MDB também...

Os que querem Bolsonaro estão encantados com os favores, vantagens e emendas do Orçamento. A coisa está tão malparada que lembro de uma frase do doutor Ulysses (Guimarães) quando a gente se queixava do Congresso: "Se esse Congresso é horrível, espera até vir o próximo". Bolsonaro está muito longe do que é bom para o Brasil. Eu defendi, lá atrás, uma tese de que o MDB deveria apresentar dois candidatos: a Simone e o (Sérgio) Moro (hoje no União Brasil). A ideia era não definir logo quem seria o candidato a presidente e vice. Aí, em agosto, fariam uma grande pesquisa.

Por que não deu certo?

Porque o Moro levou paulada de todos os jeitos. O Supremo soltou todo mundo, só falta colocar o Moro na cadeia. Então, ele largou e não é mais candidato. A salvação do Brasil se chama Simone. O pai dela (Ramez Tebet) foi presidente do Senado quando afastamos o senhor Jader (Barbalho).

O senhor acredita que a chamada terceira via pode sair unida? Ou o MDB deve ter chapa pura?

É lamentável que a terceira via não saia unida. Existem todas as condições de unir o PSDB e o velho MDB. O ideal seria eles estabelecerem, juntos, uma reação a essa máquina do lulismo, que quer ganhar a qualquer custo, e ao Bolsonaro, que usa a máquina do governo de maneira irresponsável. Se a Simone for lançada candidata, tenho a convicção de que esses partidos que não sabem o que fazer virão conosco. Os que não sabem o que fazer vão com ela.

O ex-governador João Doria (PSDB) seria um bom vice para Simone? Acha possível uma composição?

Eu respeito o Doria. Ele foi um bom prefeito e um bom governador. É honesto, decente e foi o grande nome da vacina, mas não sei o que ele fez que não soma. O ideal era ter o Moro de vice. Seria espetacular.

Como o senhor avalia o nome do ex-governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB)?

Tenho respeito e gosto dele. É um homem bem-intencionado, mas foi irresponsável ao deixar o governo. Não devia ter entrado naquelas prévias. Foi uma confusão. Acho difícil o Eduardo Leite ser candidato a governador. Ele renunciou e seria estranho voltar atrás. O mais provável é que ele dispute o Senado. Mas é um político que tem um futuro.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, em quem votaria?

É um drama, tchê. Deus não vai permitir isso. É um terror um homem de 92 anos, com 70 anos de cargos públicos, dizer isso, mas eu votaria em branco. Tem muita gente que está vivendo esse drama.

Se a senadora Simone Tebet for mesmo candidata ao Planalto, o senhor acredita que o MDB vai estar de fato fechado com ela ou traições serão toleradas nos Estados?

Se Simone for a candidata, acredito que sim. Lula não prestou conta dos erros que cometeu e Bolsonaro não sabe o que vai fazer. Eu acredito num milagre. Estou convencido de que o programa de TV vai mostrar quem é quem. Acredito num palanque único com União Brasil, MDB e PSDB. E mais: outros partidos vão fechar com ela. O povo vai se insurgir. Quais interesses levam parte do MDB a apoiar Lula ou Bolsonaro? Está na hora de Deus ser brasileiro.

O que é mais forte hoje no Brasil: o antipetismo ou o antibolsonarismo?

Dá empate. Fui fã do Lula no início do governo dele. Tomou posições corajosas, mas aí veio a Lava Jato. Lula acabou se comprometendo. E, se o Bolsonaro fizer um teste psicotécnico para tirar carteira de motorista, ele não passa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 
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