SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2021
JUSTIÇA E CIDADANIA

Estado vai investigar publicação homofóbica de vereador de Rio Preto

Ouvidoria da Câmara de Rio Preto já recebeu três denúncias, que serão enviadas ao Conselho de Ética

Núcleo DigitalPublicado em 21/07/2021 às 15:53Atualizado há 21/07/2021 às 15:53
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Anderson Branco (PL) (Johnny Torres 3/6/2020)

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual (CPAS), vai requerer a instauração de processo administrativo para investigar sobre a conduta do vereador de Rio Preto, Anderson Branco (PL), em uma publicação homofóbica.

A pasta disse ao Diário que recebeu a denúncia nesta quarta-feira, 21, e já abriu o expediente, registrando-a na Ouvidoria da Secretaria da Justiça. Nesta quarta-feira, 21, a Ouvidoria da Câmara de Rio Preto já recebeu três denúncias, que serão enviadas ao Conselho de Ética.

 

OAB denuncia vereador de Rio Preto por publicação homofóbica

Anderson Branco, do PL, fez publicação homofóbica nas redes sociais (Reprodução/Instagram)

Anderson Branco, do PL, fez publicação homofóbica nas redes sociais (Reprodução/Instagram)

A Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou nesta quarta-feira, 21, que entrará com duas representações contra o vereador Anderson Branco (PL) por publicação nas redes sociais de um meme que relaciona a população LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais ou transgêneros, queer, intersexo, assexuais e outras possibilidades de orientação sexual) ao "diabo". A postagem foi repudiada por lideranças da comunidade em Rio Preto e por internautas, que criticaram a postagem do vereador.

Na imagem, uma mão forte, branca e aparentemente masculina segura uma segunda mão, de cor preta, com características que remetem a uma imagem monstruosa ou diabólica, com o pulso vestido com as cores da bandeira LGBTQIA+. A imagem sugere um antagonismo entre bem e mal, sendo que o mal seria a população LGBTQIA+ tentando atingir a família, representada na imagem pelas figuras de um homem, uma mulher e duas crianças. O desenho vem acompanhado com a legenda: "Na minha família não".

Junto da imagem, Branco escreveu: "NOSSA FAMÍLIA ESTÁ NAS MÃOS DE DEUS. Nossos filhos são herança do Senhor!! #MeuPartidoeaFamilia #DireitosHumanosParaTodos #respeitoatodos".

A advogada da comissão da OAB, Gabriela Carolina dos Santos Pinto, afirmou que as providências serão políticas e criminais. "Vamos entrar com uma representação na comissão de Ética da Câmara e uma representação criminal na Câmara pelo crime de racismo (lei que inclui crimes de homofobia no Brasil)", afirmou. Na publicação, internautas também repudiaram o posicionamento do vereador, que também é o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo rio-pretense.

"Sou cristã e pessoas como você não me representam. Usar um salmo (na legenda da publicação) tão lindo para ser homofóbico. Inadmissível", escreveu uma internauta. "Ainda bem que não me representa, falta de arrumar o que fazer sentar ai na cadeira e não fazer nada dá para criar bicho na cabeça uma vergonha e ainda fala de Deus não se esqueça que a lei do retorno é para todos então pensa o que fala", escreveu outra mulher.

Nesta quarta-feira, Branco disse à reportagem que está tranquilo em relação às acusações. "Sou cristão conservador. Defendo a família na questão central das crianças. Sou contra a ideologia de gênero desde o meu primeiro mandato até hoje e é uma das minhas bandeiras principais de trabalho no meu mandato, defendo as crianças por serem indefesas e inocentes", afirmou.

O vereador não comentou a acusação de homofobia e disse que os comentários são "intolerantes". "Não ofendi ninguém. Pelo contrário, fui bastante ofendido nas minhas redes sociais por intolerância e despeito a mim e a minha família", completou.

Branco, por fim, disse que compartilhou o meme ao se inspirar em outras postagens feitas, por exemplo, pelo ex-deputado federal, Roberto Jefferson. "O ex-deputado federal Roberto Jefferson e outros postaram e eu compartilhei defendendo crianças", finalizou.

Prefeitura e partidos reagem a publicação homofóbica de vereador de Rio Preto

Vereador de Rio Preto Anderson Branco

Vereador de Rio Preto Anderson Branco

Anderson Branco, do PL, fez publicação homofóbica nas redes sociais (Reprodução/Instagram)

Anderson Branco, do PL, fez publicação homofóbica nas redes sociais (Reprodução/Instagram)

A Secretaria dos Direitos e Políticas para Mulheres, Pessoa com Deficiência, Raça e Etnia da Prefeitura de Rio Preto reagiu a publicação homofóbica do vereador de Rio Preto Anderson Branco (PL). 

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar associou a população LGBTQIA+ a uma imagem monstruosa. A pasta manifestou "publicamente e com veemência repúdio à qualquer tipo de postagem em redes e mídias sociais que discriminem a diversidade sexual e a população negra".

"Acreditamos em direitos humanos a todas as pessoas sendo o objetivo principal do trabalho dessa pasta atender pessoas que tem seus direitos violados, sofrendo discriminações, injúria e racismo", acrescentou a secretaria, que é presidida por Maria Cristina Augusto.

Partidos também se posicionam

Em nota, o Partido da Democracia Trabalhista (PDT) de Rio Preto disse que o vereador optou por fazer postagens ofensivas "para ganhar audiência, chamar atenção e ter algum resultado" e que com isso, "ele se sujeita ao que ele mesmo impôs: uma pessoa abjeta, que nem mesmo o Jesus que ele tanto defende ficaria ao seu lado, pois o mandamento cristão de 'amar o próximo como a ti mesmo' é independente de classe, raça, gênero e religião".

A legenda, que é presidida por Abner Tofanelli, afirmou também que segue o Ministério Público e que entrará com a denúncia junto a organizações LGBT, pedindo, ainda, a saída do parlamentar, ao qual se referiu como "vergonha".

A presidente do Psol de Rio Preto, Luciana Fontes, confirmou ao Diário que o pártido também entrará com a denúncia contra Branco na Câmara e no Ministério Público. Ela afirmou que a sigla repudia "toda e qualquer forma de discriminação, sobretudo quando se trata de um crime".

"A LGBTQIfobia é crime, reconhecido pelo STF em 2019. Precisamos que estes crimes sejam apurados e estes agressores devidamente punidos", disse Fontes. O Psol acrescentou que aguarda as autoridades competentes darem o devido andamento.

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