SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
REGIÃO DE RIO PRETO

Prefeitos da região começam mandato em meio à turbulência política

Chefes de Executivo recém-empossados na região de Rio Preto buscam por informações de contratos, serviços e dívidas que teriam sido deixados por antecessores que deixaram a administração em dezembro

Arthur PazinPublicado em 09/01/2021 às 22:32Atualizado há 06/06/2021 às 13:47
Chefes de Executivo recém-empossados na região de Rio Preto buscam por informações de contratos, serviços e dívidas que teriam sido deixados por antecessores que deixaram a administração em dezembro (Reprodução/Facebook)

Chefes de Executivo recém-empossados na região de Rio Preto buscam por informações de contratos, serviços e dívidas que teriam sido deixados por antecessores que deixaram a administração em dezembro (Reprodução/Facebook)

Teoricamente, as eleições municipais se encerraram no dia 15 de novembro. Em algumas cidades da região de Rio Preto, no entanto, a disputa política parece continuar neste início de janeiro de 2021. Em Guapiaçu, o prefeito Jean Carlos Vetorasso (DEM) decidiu baixar decreto que cancela todos os contratos vigentes. Ele ainda fechou o prédio da prefeitura na última semana, reabrindo as portas a partir desta segunda-feira, 11. Apesar de o paço estar fechado, o prefeito garantiu que os serviços essenciais não foram afetados.

Em um vídeo gravado nas redes sociais, no início da semana, o novo gestor, que é filho da ex-prefeita Ivanete — morta em um acidente em 2013 — disse que devido à ausência de transição entre a administração do ex-chefe do Executivo Carlos César Zaitune (MDB) e a sua gestão, no final do último ano, não foi possível saber o que havia de dinheiro no caixa. No dia 1º, data da posse, ele já havia divulgado um vídeo nas redes sociais em que aparece com a equipe alegando não haver "nenhuma informação financeira" na prefeitura.

Em entrevista ao Diário, Jean contou que ao chegar à sede do Executivo, no primeiro dia, sua equipe não conseguiu ter acesso às contas devido à ausência de senhas e falta de acesso à contabilidade.

Após a análise de contratos e processos licitatórios pela equipe técnica, o prefeito disse estar "entristecido" com a situação e que aguarda o fim da análise dos documentos para decidir quais medidas irá tomar. Ele promete fazer um pronunciamento oficial sobre a situação nesta segunda-feira, 11, nas redes sociais da prefeitura.

Procurado pelo Diário, Zaitune disse que todos os dados referentes ao fechamento da administração estão disponíveis no portal de transparência da prefeitura, onde constam também todas as receitas até 31 de dezembro e todas as despesas realizadas e pagas até a data.

Em Potirendaba, a prefeita Gislaine Franzotti (PTB) determinou na quarta-feira, 6, que fosse realizado um levantamento nas contas públicas deixadas pela administração anterior. Os dados estão sendo colhidos pelos departamentos jurídico, financeiro, contabilidade, licitações e recursos humanos da prefeitura.

Segundo informações obtidas até o momento pela atual gestão, a administração anterior teria deixado dívidas em torno de R$ 19 milhões, referentes a empresas fornecedoras, prestadores de serviços, empréstimos, precatórios, folha de pagamento dos funcionários e rescisões trabalhistas.

Os dados foram apresentados em reunião na sexta-feira, 8, no gabinete do Executivo, com os nove vereadores eleitos, onde Gislaine ressaltou que o ex-prefeito Flávio Alves (PSD) não deixou nenhum dinheiro para quitar os débitos.

"É realmente um absurdo o estado em que nossa administração está iniciando o mandato na prefeitura. Espero contar com o apoio do povo e da Câmara para que possamos, em primeiro lugar, realizar o pagamento de salário dos funcionários públicos e, em seguida, quitar os outros débitos", disse a prefeita, que alegou não ter obtido nenhum dado oficial repassado pela administração anterior, mesmo tendo protocolado uma solicitação para que houvesse transição de governo.

Ela afirmou ter encontrado o município em "situação caótica" e alegou não ter tido acesso a documentos importantes, como contratos, licitações e patrimônios. Na opinião da prefeita, isso causou uma "situação preocupante".

Em um vídeo gravado no primeiro dia de trabalho, Gislaine disse ainda que tentou realizar manutenção na cidade, mas que a única roçadeira do poder público estaria na casa de um funcionário da prefeitura. A prefeita também criticou o que classificou como uma "situação precária de diversos setores do Executivo" e agradeceu a doação de tinta que recebeu para revitalizar o local de trabalho. Ela também contou que revogou dois decretos relacionados ao horário de funcionamento da prefeitura.

Procurado pela reportagem, o ex-prefeito Flávio disse que a folha de pagamento vence no quinto dia útil de janeiro deste ano, que os precatórios são de administrações passadas e que o município possui empréstimo junto ao Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) para a compra de área destinada à construção de casas e investimento em infraestrutura, o que pode ser pago, segundo o ex-gestor, em até dez anos. O ex-prefeito também informou que faz um levantamento, "para em momento oportuno mostrar a verdade", afirmou.

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