Candidatos a prefeito de Rio Preto comentam sobre o suposto 'fim da Lava Jato'

ELEIÇÕES 2020

Candidatos a prefeito de Rio Preto comentam sobre o suposto 'fim da Lava Jato'

Diário procurou os dez candidatos à Prefeitura de Rio Preto para falar sobre a opinião de cada um deles em relação à operação


Policiais federais apreenderam R$ 243 mil em dinheiro durante uma das fases da Operação Lava Jato
Policiais federais apreenderam R$ 243 mil em dinheiro durante uma das fases da Operação Lava Jato - Reprodução

Na última quarta-feira, 7, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, que acabou com a Operação Lava Jato, uma vez que "não existe mais corrupção no governo".

"É um orgulho, uma satisfação que eu tenho de dizer a essa imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato... Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo", declarou Bolsonaro, que foi aplaudido em seguida e causou, com a fala, uma série de debates nas redes sociais sobre a operação que teve início em 17 de março de 2014 e conta com 71 fases operacionais autorizadas. Ela é considerada a maior iniciativa de combate à corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil.

Antes da declaração do presidente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia discutido sobre os rumos da operação. Até dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) deve decidir se será criada a Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), divisão que substituiria o modelo que consagrou a operação e concentraria poderes na PGR. Outra possibilidade é levar o modelo de Grupos de Atuação Especial (Gaecos) a outros Estados. 

Com a repercussão do caso, o Diário procurou os dez candidatos à Prefeitura de Rio Preto para falar sobre a opinião de cada um deles em relação à operação e seu suposto fim. Carlos Alexandre (PCdoB) definiu a fala do presidente da República como um "arroubo psicopatológico" e de "ousadia contra o bom senso". Segundo o candidato, a própria família do presidente está tendo que dar explicações diárias à imprensa sobre corrupção, prática esta, que na opinião dele, "tem início, muitas vezes, nas eleições municipais".

Para Carlos Alexandre, a operação surgiu para combater a corrupção, mas apesar do grande número de empresários e políticos investigados e até presos, a marca que ficou foi a da "convicção" sobrepondo-se às provas, "massacrando os princípios jurídicos".

Carlos Arnaldo (PDT), por sua vez, se declarou a favor da continuidade da Lava Jato. Para o advogado, a operação deveria ser "perene". Mesma posição de Casale (PSL). Ele ressaltou que a operação ainda não acabou. "Hoje mesmo tivemos operação Lava Jato nas ruas."

Casale lembrou, ainda, que a prerrogativa de terminar com a operação é da Procuradoria Geral da República e elogiou a Lava Jato. "A operação é a grade responsável pela revolução na política, que estamos tendo desde 2018. Momento em que o PSL, um dos defensores da Lava Jato, tornou-se um dos maiores partidos do Brasil", disse.

Já Celi Regina (PT) chamou a declaração de Bolsonaro de "hipócrita" e citou os cheques de R$ 89 mil enviados para Michelle, além de desvios de recursos da Covid-19. Segundo a professora, a operação foi usada para interesses da extrema-direita, a fim de perseguir e caluniar partidos ligados à esquerda.

"Seu fim só mostra que a operação já não combatia a corrupção em si, mas servia apenas como instrumento político parcial", disse a candidata, que falou sobre a prisão de Lula como manobra política para tirá-lo das eleições de 2018. "É a história finalmente mostrando o lado da verdade", afirmou a petista.

Integrante do Republicanos, partido do senador carioca Flávio Bolsonaro, filho do presidente, Coronel Helena disse que a operação foi importante para o Brasil, tendo obtido resultados concretos na luta contra a corrupção, mas a candidata lembrou que a Lava Jato não é uma instituição, mas uma "operação que tem começo, meio e fim, e que precisa abrir espaço para outras operações".

Edinho Araújo (MDB), que tenta a reeleição para prefeito, disse não concordar com o fim da Lava Jato. "Ela executou, e ainda realiza, uma importante tarefa no Brasil contra a corrupção. Essa é a minha convicção", afirmou o emedebista.

Para Filipe Marchesoni (NOVO), a Lava Jato trouxe moralidade ao País e deve continuar para que os políticos estejam sempre em alerta e não cometam os mesmos erro. "Se não mudarmos o sistema político brasileiro a Lava Jato nunca vai acabar, apenas enxugará gelo, por que sempre vão nascer novos corruptos", opinou o candidato.

Marco Rillo (PSOL) preferiu não responder a pergunta da reportagem. De acordo com a assessoria do candidato, o prefeiturável, que é atualmente vereador, e o PSOL Rio Preto "estão no momento focados em apresentar soluções para os problemas do município".

Questionado sobre a operação, Paulo Bassan (PRTB) disse que "o combate à corrupção tem que ser constante, nunca parar ou enfraquecer". Rogério Vinícius (DC) chamou a Lava Jato de marco histórico para o Brasil e disse que seu encerramento tem que ser natural.

"Dizer que a Lava Jato acabou porque a corrupção acabou eu acho uma leitura um pouco forçada, especialmente porque a corrupção no Brasil é sistêmica e não está somente no Poder Executivo, está infiltrada também no Legislativo e no Judiciário", disse o candidato do DC. Para ele, a operação realmente acabará "se deixar de fazer uma nova fase por não encontrar indício de corrupção".