Sem máscara, Bolsonaro desfila com crianças

Dia da Independência

Sem máscara, Bolsonaro desfila com crianças

Michelle Bolsonaro, primeira-dama, foi chamada de 'mita' por parte do público


O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia comemorativa do 7 de Setembro, no Palácio da Alvorada, acompanhado de crianças
O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia comemorativa do 7 de Setembro, no Palácio da Alvorada, acompanhado de crianças - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro chegou no Rolls-Royce conversível da Presidência à cerimônia do Dia da Independência, realizada no Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira, 7. Sem usar máscara, Bolsonaro surgiu por volta das 10h acompanhado de um grupo de cerca de dez crianças, filhas e netas de autoridades convidadas, e cumprimentou apoiadores. Algumas usavam máscaras, outras não. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi chamada de "mita" pelo público.

Em formato enxuto, o evento no Alvorada substituiu o tradicional desfile de 7 de Setembro, realizado na Esplanada dos Ministérios, mas modificado este ano devido à pandemia do novo coronavírus. Na portaria do Ministério da Defesa que cancelou o evento o motivo apresentado foi o risco de aglomeração. De acordo com a Secretaria Especial de Comunicação (Secom), no entanto, entre 1 mil e 1,2 mil pessoas acompanharam a solenidade. Antes do início da cerimônia, a Secom informou que o local estava preparado para receber 800 pessoas.

Sem máscara, o presidente cumprimentou apoiadores que o aguardavam e tirou fotos com alguns deles em diversos momentos. Entre as crianças que o acompanharam no carro estava a neta do ministro da Defesa, Fernando Azevedo. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente, acompanharam a solenidade. Já o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que no ano passado desfilou no Rolls Royce com o pai, não foi visto.

Inicialmente, a Secom havia informado que a celebração seria restrita apenas para convidados, mas o espaço acabou aberto para o público, o que gerou aglomeração. Aos gritos de "mito", os apoiadores do presidente seguravam bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel. Nem todos usavam máscara de proteção. Em certo momento, o público ensaiou gritos de "cloroquina", medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19, e o nome do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Estavam presentes algumas das principais autoridades de Brasília, como os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, além de ministros de Estado e chefes das Forças Armadas. Assim que Toffoli chegou à solenidade, simpatizantes de Bolsonaro gritaram para o ministro: "Supremo é o povo". Alcolumbre, por sua vez, foi hostilizado com vaias. Entre os ministros, Paulo Guedes (Economia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fábio Faria (Comunicações) foram alguns dos presentes.

Além das autoridades, o público presente pôde acompanhar uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça por cerca de dez minutos. O evento durou cerca de meia hora.

'Mita'

Pouco antes de Bolsonaro chegar, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro - chamada de "mita" por parte do público - apareceu acompanhada do secretário especial de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e também do secretário da Cultura, Mário Frias. No último final de semana, os dois se envolveram em polêmica ao rebaterem uma sátira do humorista Marcelo Adnet. Eles utilizaram, inclusive, a estrutura oficial da Secom para criticar o artista.

No sábado, Frias chegou a responder em tom de ameaça a uma publicação do deputado estadual Flavio Serafini (Psol-RJ) sobre o assunto. "Cuidado com a PF...", escreveu Frias no Twitter.

Com o desentendimento público entre Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados optou por não comparecer à comemoração. Segundo a assessoria de Maia, o parlamentar não pode participar porque estará no Rio no horário do evento. No ano passado, ele também não compareceu, porque estava em viagem ao Catar.

Ao lado do presidente Bolsonaro, na primeira fila, estavam o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, e da Casa Civil, Walter Braga Netto. Ao deixar o local, Bolsonaro saiu caminhando com os ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. O presidente não falou com a imprensa. Às 20h desta segunda foi veiculado um pronunciado oficial de Bolsonaro em cadeia nacional de rádio e de TV.

Há um mês, o Ministério da Defesa determinou o cancelamento do desfile de 7 de setembro, que comemora o 198.º aniversário da Proclamação da Independência. Na portaria, a pasta destacou que, em razão da pandemia da covid-19, não é recomendável pelas autoridades sanitárias "a promoção de eventos que possam gerar aglomerações de público, devido ao risco de contaminação". "As condições atuais indicam que tal recomendação deva ainda vigorar durante o mês de setembro, abrangendo, assim, o período de celebração do 198.º Aniversário da Proclamação da Independência do Brasil", afirma o documento